Análise

Llorente é a figura de uma equipa com outras jovens estrelas bascas

Llorente é a principal arma do Bilbau, mas não é a única
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Llorente é a principal arma do Bilbau, mas não é a única Foto: Wolfgang Rattay/Reuters

Marcelo Bielsa foi "tentado pelo sentimento romântico do Athletic Bilbau", como o próprio técnico argentino reconheceu quando chegou a Espanha no início da época. Mas isso não o impediu de formatar uma equipa capaz de juntar a nota técnica à artística e de agradar à crítica e aos adeptos.

Perfeccionista e fã incondicional do futebol de ataque, Bielsa conseguiu dar equilíbrio e consistência a um Athletic que, em Espanha, é agora muitas vezes comparado ao Barcelona. Pela qualidade do seu jogo, pelo "tiki-taka" e até pelos elogios de Guardiola, que teve a suprema modéstia de afirmar que Bielsa "é o melhor treinador do planeta".

Mantendo uma capacidade física assinalável (raros são os jogadores com menos de 1,80m de altura), o Athletic também não perdeu a combatividade e a intensidade do seu jogo que, muitas das vezes, o faziam parecer um clube britânico. Mas o modelo de jogo evoluiu de forma indelével com Bielsa. Num clube em que a opção por só utilizar jogadores bascos contribui para inflacionar ainda mais o sentimento de pertença nos adeptos, subiu de forma clara esta época o nível de satisfação com os espectáculos proporcionados.

Esta equipa do Athletic Bilbau é muito diferente da que, em 1976-77, jogou e perdeu a final da Taça UEFA para a Juventus. Desde logo por ter uma média de idades muito baixa, na ordem dos 23 anos. E por combinar bem a agressividade com a audácia e o futebol vistoso.

O Athletic, que não ganha nenhum título oficial desde 1984, investiu numa nova geração de jogadores sem fazer um grande investimento. De facto, no conjunto das últimas sete épocas gastou apenas 37 milhões de euros na compra de jogadores, pouco mais do investido pelo Sporting em reforços só nesta época. A diferença é que o clube espanhol quase sempre resiste a vender as suas principais estrelas...

Estratégia

Muitos dos jogadores são polivalentes, capazes de desempenhar diferentes missões, como tanto agrada a Bielsa. O Athletic distingue-se também pela qualidade das bolas paradas ofensivas, para o que contribui em muito o avançado Llorente (apontou dez dos 19 golos de cabeça somados pela equipa). Mas também é verdade que uma fragilidade da equipa espanhola é o jogo aéreo na sua área. Outras são a permeabilidade do corredor central e a recuperação defensiva. O pressing alto é feito com precisão e acutilância, mas quando o adversário consegue passar aquela zona encontra muito espaço mal vigiado. Ou seja, o Athletic defende melhor no ataque do que na defesa. Lá atrás funciona um esquema assente quase apenas em marcações individuais, o que nem sempre resulta da melhor forma.

Ao contrário do que acontecia na selecção do Chile, onde investiu num ainda mais romântico 3x4x3, Bielsa montou o Athletic num 4x3x3. Mas é um esquema recheado de mobilidade e sempre aberto à mudança. No último jogo, quando importava guardar o golo de vantagem sobre o Maiorca, o técnico argentino não teve dúvidas em assumir o duplo pivot defensivo e em passar a jogar em 4x2x3x1.

Bielsa não fez poupanças nesse jogo, porque ainda não desistiu de apurar o clube basco para a Champions ou, no mínimo, para a Liga Europa. Do onze titular habitual, só não jogou o jovem extremo Muniain, que acusava uma inflamação ocular (viajou para Lisboa e, segundo Bielsa, deve jogar). O Athletic subiu à sétima posição da Liga espanhola e está apurado para a final da Taça do Rei, frente ao Barcelona.

Defesa

O guarda-redes é Iraizoz, experiente (31 anos) e alto (1,91m). Jogou cinco anos no Espanyol.

No lado direito da defesa, surge Iraola (29 anos/1,82m), tecnicista e muito ofensivo.

Um dos centrais é Amorebieta (27/1,92m), jogador imponente e capaz de fazer lançamentos longos. Descendente de bascos, nasceu na Venezuela, país que representa agora, já depois de ter passado pela selecção espanhola de sub-19.

O melhor jogador da defesa é Javi Martínez, que ficará de fora, a cumprir castigo. É um central adaptado comprado há cinco épocas ao Osasuna por seis milhões de euros. Tem 23 anos, mede 1,90m, gosta de iniciar a construção de jogo e há quem diga que José Mourinho o quer em Madrid. Quando é necessário guardar os resultados, pode subir no terreno para ajudar a formar o duplo pivot. O seu lugar deverá ser ocupado por Ekiza (24/1,80m), cujas fragilidades podem ser exploradas pelos jogadores mais rápidos do Sporting.

O jovem (20 anos) Aurtenetxe ocupa a lateral esquerda. Mede 1,82m e é um jogador apagado, que sobe pouco e muito faltoso.

Meio-campo

A posição seis é ocupada por Iturraspe (23/1,87m). Está no clube desde os dez anos, mas só se impôs na primeira equipa com Bielsa. Sabe ler bem o jogo e compensa bem as subidas do lateral direito.

Oscar De Marcos (23/1,80) é o interior direito, embora a sua polivalência lhe permita ocupar outros terrenos. Formado no Alavés, impôs-se com Bielsa. Tem um drible forte e é explosivo, o que lhe permite surgir amiúde nas costas dos pontas-de-lança.

No outro lado joga habitualmente Ander Herrera (22/1,81m). Foi contratado esta época ao Saragoça por 7,5 milhões de euros e a sua chegada ajudou em muito às elevadas percentagens de posse de bola que o Athletic é capaz de apresentar. Mas também sabe aproveitar os lançamentos longos que o clube não deixa de fazer aqui e ali. É talvez o jogador que mais marca o ritmo da equipa.

Ataque

No lado direito, deverá jogar Susaeta (24/1,74m). É veloz e forte nos cruzamentos e nas diagonais. Em grande forma, dá verticalidade e contribui para que a asa direita seja o ponto forte da equipa.

Na ala esquerda, costuma alinhar Muniain. Só tem 19 anos e mede apenas 1,69m, mas tem muita qualidade e já se estreou na selecção principal. Na liga espanhola, só marcou dois golos, mas na Liga Europa já soma cinco. Tem uma cláusula de rescisão de 38 milhões... Se não recuperar do problema no olho, o seu lugar deverá ser preenchido por Ibai (22/1,79m), um falso extremo que é muito forte nas bolas paradas.

O centro do ataque é ocupado pelo mediático e experiente Llorente, por muitos considerado o melhor ponta-de-lança espanhol da actualidade. No clube desde os infantis, esta época já marcou 27 golos em 45 jogos. É um jogador maduro (27 anos), possante e bom cabeceador, ou não medisse 1,95m e pesasse 94kg. O seu habitual suplente é Gabilondo (33/1,85m), que já passou pela Real Sociedad.