Ex-ministro da Defesa da Grécia detido por corrupção nos submarinos

Tsochatzpoulos estava à frente do Ministério da Defesa quando a Grécia comprou, em 2000, quatro submarinos à Alemanha
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Tsochatzpoulos estava à frente do Ministério da Defesa quando a Grécia comprou, em 2000, quatro submarinos à Alemanha AFP

O ex-ministro grego da Defesa, Akis Tsochatzpoulos, não resistiu às acusações de corrupção das autoridades alemãs e gregas na compra de submarinos e foi detido na passada quarta-feira.

Tsochatzpoulos estava à frente do Ministério da Defesa quando a Grécia comprou, em 2000, quatro submarinos à Alemanha, por 2,85 mil milhões de euros. A entidade alemã vendedora foi a Ferrostaal, como aconteceu com Portugal.

A queixa-crime do Ministério Público de Munique, que iniciou investigações à venda de submarinos pela Ferrostaal depois dos pedidos de informação das autoridades portuguesas, inclui o antigo ministro na lista dos beneficiários de 62 milhões de euros pagos em comissões (‘luvas’). Segundo a imprensa alemã, Tsochatzpoulos não conseguiu provar a origem do dinheiro com que comprou uma casa luxuosa num bairro de elite de Atenas.

As investigações do Ministério Público alemão junto da Ferrostaal sobre o pagamento de subornos na venda de submarinos a vários países visaram diversos dirigentes do grupo. Dois dos ex-executivos aceitaram recentemente a proposta de conciliação do tribunal e admitiram ter pago subornos à Grécia e a Portugal.

O ex-administrador da Ferrostaal Johann-Friedrich Haun e o ex-procurador Hans-Peter Muehlenbeck admitiram que, no caso português, o suborno tinha sido pago ao ex-cônsul honorário em Munique, Jürgen Adolff.

A acusação das autoridades alemãs afirma que pagaram 1,6 milhões de euros ao ex-cônsul, para que este lhes arranjasse contactos dentro do Governo português.

Em Portugal, a investigação ao caso dos submarinos resultou em dois processos, um referente à compra dos submarinos e outro às respectivas contrapartidas.

O primeiro, iniciado em 2006 ao crime de corrupção, participação económica em negócio e branqueamento, ainda se encontra em fase de inquérito. Portugal continua a aguardar informação pedida à Alemanha. O segundo, iniciado em 2009, acusa 10 ex-gestores alemães e portugueses de falsificação de documentos e burla qualificada e aguarda julgamento, o qual se prevê que arranque em 19 de Setembro.

O processo dos submarinos nasceu a partir de duas escutas a conversas de Abel Pinheiro e Paulo Portas no âmbito do caso Portucale, cujo acordão foi conhecido nesta quinta-feira e em que todos os arguidos foram absolvidos.