Religião

Falta de novos padres leva paróquias a recorrer a sacerdotes estrangeiros

Rui Gaudêncio
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Rui Gaudêncio

A falta de padres em Portugal está a levar várias paróquias a serem atribuídas a sacerdotes estrangeiros, uma tendência que se espalha a grande parte da Europa, disse à Lusa o responsável da Pastoral da Mobilidade do Patriarcado de Lisboa.

De acordo com o responsável do patriarcado Delmar Barreiros, há determinadas paróquias no Patriarcado de Lisboa que há muito tempo são orientadas com padres de comunidades estrangeiras.

A tendência é justificada pelo padre Delmar Barreiros não só com a falta de padres mas com a natural mobilidade da Igreja.

“Qualquer diocese na Europa tem necessidade de clero porque a falta de vocações tem sido grande”, afirmou em entrevista à Lusa, ressalvando que “há congregações noutros países que superabundam em vocações e então podem distribuir essas pessoas e esses candidatos por outras dioceses. E há muita gente que vem de fora para Portugal para se agregar a uma determinada congregação”.

Por outro lado, sublinhou, as congregações religiosas, “não têm uma nação específica” e, “tal como a Igreja, espalham-se por todo o mundo”.

De acordo com Delmar Barreiros, os padres estrangeiros podem chegar a Portugal de duas formas: através de um contacto do bispo da diocese de acolhimento com a congregação ou diocese de origem com vista a colmatar a falta de um sacerdote, ou pela situação inversa, para que o missionário possa viver uma experiência diferente.

No entanto, o responsável pela Pastoral da Mobilidade do Patriarcado de Lisboa, chamou a atenção para o facto de também existirem “muitos portugueses que estão a trabalhar nos países africanos ou nos países da Ásia”.

“Temos realmente muitos missionários da consolata que são portugueses e que, em vez de estarem a trabalhar em Portugal, estão a trabalhar noutros países”, assinalou.

Para o padre Delmar Barreiros, a ideia essencial é que “na Igreja não há estrangeiros” e que todos aqueles sacerdotes de outros países que estão em Portugal trabalham com o “mesmo dinamismo e a mesma força interior como que estivessem a trabalhar na sua terra”.