I Liga

Um Benfica descontraído só ficou a dever uma goleada a si próprio

Cardozo apontou dois golos frente ao Beira-Mar
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Cardozo apontou dois golos frente ao Beira-Mar Foto: Hugo Correia/Reuters

O adversário não exigiu muito e o Benfica não teve de se aplicar por aí além para vencer (3-1) o Beira-Mar. Foram três pontos obtidos com descontracção, em ritmo quase sempre baixo, que mantêm os “encarnados” na perseguição ao FC Porto.

Os visitantes mostraram-se mais concentrados em não sofrer golos do que em marcá-los. Quando acelerou o jogo — e Jesus não se cansou de o pedir aos seus jogadores — o Benfica marcou. O saldo final foram três golos e a equipa da Luz ficou a dever a si própria mais um ou outro. Já nos instantes finais da partida, Cássio aproveitou a descontracção “encarnada” para fazer o golo aveirense.

O Benfica, o ataque mais concretizador do campeonato, teve pela frente uma das melhores defesas da prova. Com apenas 24 golos sofridos, o Beira-Mar tinha números ao nível do das equipas do topo da classificação: FC Porto (16), Sporting (17), Sp. Braga (18), Benfica (20) e Marítimo (24). Ulisses Morais apresentou-se na Luz apostado em manter essa estatística. Os aveirenses foram uma equipa ultraconservadora, de tracção atrás e pouco ambiciosa no ataque. De resto, o Beira-Mar era a segunda equipa com menos golos marcados (17), só atrás do Feirense.

Sabendo já que o FC Porto passara com sucesso no teste da Choupana — a equipa de Vítor Pereira venceu o Nacional (2-0) e segurou a liderança da classificação — Jorge Jesus fez alinhar uma equipa com várias novidades. Face à ausência de Maxi Pereira, Witsel jogou no lado direito da defesa. Pablo Aimar regressou à equipa e Nélson Oliveira estreou-se a titular na Liga.

Descontraidamente, os “encarnados” foram procurando maneira de desmontar a teia defensiva aveirense. Artur foi um mero espectador durante a primeira parte, que teve sentido único. E quando acelerou, o Benfica fez golo. Foi ao terceiro remate: Witsel, pela direita, avançou até à área e deu a Cardozo, que só teve de encostar para o fundo da baliza de Rui Rego (26’). O paraguaio ofereceu depois a Gaitán o segundo da noite, mesmo antes do intervalo. Qual pivot, recebeu à entrada da área, rodou e meteu no argentino, que não desperdiçou.

A estocada final veio logo nos primeiros minutos da segunda parte. Nélson Oliveira teve um momento de génio e, com um passe de calcanhar, deixou Cardozo sozinho na área. Este, não se fez rogado: 3-0 e 18.º golo no campeonato.

Só então Ulisses Morais arriscou alguma coisa na partida. Abdicou de dois elementos defensivos para lançar um médio (Nildo) e Cássio, um avançado que passou a ser a referência atacante dos aveirenses. Mas os efeitos práticos foram nulos, porque o jogo continuou a desenrolar-se longe da baliza de Artur. E o resultado só não aumentou porque o Benfica tirou o pé do acelerador.

Com o jogo na mão, Jesus retirou Aimar e aproveitou para dar minutos a André Almeida. A obrigação estava cumprida diante do Beira-Mar, que nos instantes finais ainda aproveitou a displicência “encarnada” para fazer um golo de consolação. Jorge Jesus geriu então os seus jogadores com vista à partida de terça-feira com o FC Porto, das meias-finais da Taça da Liga. Um encontrou cujo desfecho, em termos mentais, poderá ser significativo nas contas finais do campeonato.

POSITIVONélson Oliveira

O jovem avançado estreou-se a titular no campeonato. Realizou uma boa exibição, a que faltou o golo. Mas pertenceu-lhe o momento de maior brilho da noite, com o passe de calcanhar para o 3-0.


Cardozo

É sinónimo de eficácia. Rematou três vezes à baliza e fez dois golos. Que mais se pode pedir?


NEGATIVOBeira-Mar

O discurso ambicioso de Ulisses Morais antes da partida não teve correspondência na estratégia montada. O Beira-Mar pensou mais na baliza de Rui Rego do que na de Artur. Arriscou demasiado tarde e não incomodou o Benfica.


Emerson

O lateral esquerdo voltou a confirmar que é o elo mais fraco da equipa “encarnada”. Os erros que cometeu exasperaram os adeptos do Benfica, que até tinham começado por se mostrar compreensivos.


Ficha de Jogo

Benfica, 3


Beira-Mar, 1


Jogo no Estádio da Luz, em Lisboa.
Espectadores 33.986


Benfica

Artur, Witsel a88’, Luisão, Jardel, Emerson, Javi García, Gaitán, Aimar (André Almeida, 65’), Bruno César a61’ (Nolito, 64’), Cardozo e Nélson Oliveira (Rodrigo, 75’). Treinador Jorge Jesus.


Beira-Mar

Rui Rego, Nuno Lopes, Bura, Yohan Tavares, André Marques (Cássio, 58’), Jaime (Nildo, 58’), Dias, Artur (Abel Camará, 74’), Balboa, Zhang e Joãozinho. Treinador Ulisses Morais.


Árbitro

Manuel Mota, de Braga.

Amarelos

Bruno César (61’), Witsel (88’)

Golos

Benfica: Cardozo 26’ e 48’; Gaitán 44’; Beira-Mar: Cássio 90’+1’

Notícia actualizada às 23h41
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