Nações Unidas

ONU nomeia Kofi Annan como enviado especial para pôr fim à violência na Síria

Annan foi secretário-geral das Nações Unidas durante quase dez anos
Fotogaleria
Annan foi secretário-geral das Nações Unidas durante quase dez anos Foto: Mike Segar/Reuters
Um tanque danificado em Homs
Fotogaleria
Um tanque danificado em Homs Foto: Moulhem Al-Jundi/Reuters
O funeral de um opositor ao regime, em Qamishli
Fotogaleria
O funeral de um opositor ao regime, em Qamishli Foto: Reuters
Homs tem sido palco de combates violentos
Fotogaleria
Homs tem sido palco de combates violentos Foto: Moulhem Al-Jundi/Reuters
Estima-se que desde o início da repressão, em Março de 2011, já tenham morrido 7600 pessoas
Fotogaleria
Estima-se que desde o início da repressão, em Março de 2011, já tenham morrido 7600 pessoas Foto: Moulhem Al-Jundi/Reuters

O antigo secretário-geral das Nações Unidas Kofi Annan foi nomeado como enviado especial desta organização e da Liga Árabe à Síria, com o objectivo de resolver a violência que se instalou no país há um ano.

O anúncio foi feito na noite de quinta-feira através de um comunicado das Nações Unidas. Kofi Annan era, juntamente com o ex-presidente da Finlândia e Nobel da Paz Martti Ahtisaari, um dos nomes mais falados para desempenharem esta função.

No comunicado conjunto da ONU e da Liga Árabe, é feito um agradecimento a Annan por ter “aceitado esta importante missão num momento crucial para o povo da Síria”, esperando-se que “exerça a sua boa influência para conseguir o fim da violência e da violação dos direitos humanos” naquele país.

Em reacção à sua nomeação, num comunicado citado pela AFP, Kofi Annan disse esperar a “plena cooperação de todos os actores envolvidos”. O responsável, que está em Genebra, acrescentou que este é um “esforço conjunto das Nações Unidas e da Liga Árabe para contribuir para o fim da violência e das violações dos direitos humanos e para promover uma solução pacífica para a crise síria”.

A nomeação surge no mesmo dia em que a ONU divulgou um relatório sobre a Síria, no qual diz que o Presidente Bashar al-Assad tem quase todas as suas forças militares empenhadas na repressão aos sírios que ousam manifestar-se contra o seu regime. Seguindo ordens dadas "ao mais alto nível", estas unidades têm assassinado mulheres e crianças, bombardeado áreas residenciais e torturado feridos em camas de hospitais, denuncia a ONU nas conclusões de uma investigação pedida pelo Conselho dos Direitos Humanos da organização.

Annan nasceu no Gana em 1938 e foi secretário-geral das Nações Unidas durante quase dez anos, entre 1997 e 2006, tendo vencido o Prémio Novel da Paz em 2001, numa nomeação conjunta com a ONU. Enquanto enviado especial, o objectivo do seu trabalho passa por realizar “amplas consultas” com todos os interlocutores possíveis, tanto dentro como fora da Síria – tentando alcançar uma solução de paz duradoura e que envolva o povo sírio. Uma das primeiras metas é conseguir que entre no país ajuda humanitária internacional.

A escolha de um enviado especial era um dos pontos que faziam parte da simbólica resolução de paz para a Síria que a assembleia geral da ONU aprovou apesar dos vetos da China e da Rússia. De acordo com algumas fontes ouvidas pela AFP, Kofi Annan terá ainda esta sexta-feira um encontro com o actual secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, que está em Londres para participar numa conferência internacional sobre a Somália.

O nome de Annan foi anunciado apenas algumas horas antes de um encontro que arranca nesta sexta-feira e que reúne mais de 70 países e organizações que vão tentar conseguir apoios para impor um cessar-fogo na Síria. Mas já se sabe que tanto a Rússia como a China – que no Conselho de Segurança já vetaram uma resolução a pedir a saída de Bashar al-Assad – vão boicotar a conferência de hoje em Tunes, na Tunísia, organizada pela Liga Árabe. Da conferência espera-se que saia uma declaração que apele ao cessar-fogo no país e à entrada imediata de ajuda internacional, esperando-se sanções ao país se tal não acontecer.

Estima-se que desde o início da repressão, em Março de 2011, já tenham morrido 7600 pessoas, segundo as organizações sírias de defesa dos direitos humanos.

Notícia actualizada às 10h32

. Acrescenta reacção de Kofi Annan.