Crise do euro

Grécia e troika num braço de ferro, Juncker ameaça com bancarrota

Manifestantes e sindicalistas do PAME protestaram neste sábado à porta do primeiro-ministro grego
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Manifestantes e sindicalistas do PAME protestaram neste sábado à porta do primeiro-ministro grego Foto: Yiorgos Karahalis/Reuters

As negociações entre o Governo grego e a troika internacional sobre as novas medidas que a Grécia terá de adoptar para receber mais ajuda externa entraram numa fase crítica, disse hoje o ministro das Finanças grego. Evangelos Venizelos queixa-se da pressão dos parceiros de negociação, um processo que, pelo que diz o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, parece mais um braço de ferro.

“A distância que separa as negociações do bloqueio é muito curta”, afirmou o ministro grego numa declaração à imprensa, depois de ter participado numa teleconferência com os ministros das Finanças do Eurogrupo. Evangelos Venizelos disse que a teleconferência “foi difícil”, adiantando que, “da parte dos parceiros europeus, há muita pressão e impaciência”. “O momento é crucial. Tudo deve estar concluído amanhã [domingo] à noite. Estamos no fio da navalha", disse o mesmo responsável, em declarações citadas pela agência noticiosa Reuters.

Juncker, por seu lado, diz numa entrevista que será publicada na segunda-feira, na revista alemã Der Spiegel que se a Grécia não avançar com as reformas necessárias, não haverá salvação possível para os gregos. “No caso de chegarmos à conclusão que as culpas são todas da Grécia, não haverá um novo programa [de ajudas], o que significa que em Março se produzirá a declaração de quebra”, afirma Juncker, nessa entrevista cujos excertos foram divulgados por antecipação neste sábado.

Segundo o ministro das Finanças grego, já há acordo sobre a recapitalização dos bancos, não tendo sido ainda alcançado um consenso sobre a redução dos salários do sector privado e as medidas para reduzir a despesa pública.O governo grego e os banqueiros negoceiam há já três semanas um acordo para um perdão de 100 mil milhões de euros da dívida do país e evitar que este entre em falência.

O perdão de parte da dívida grega pelos credores privados está incluído num pacote que abrange a legitimação do segundo programa de resgate de 130 mil milhões de euros, aprovado na cimeira europeia de Outubro e que volta a envolver a troika (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu).

O governo grego necessita de fechar o acordo para receber o novo pacote de auxílio antes de 20 de Março, quando terá de reembolsar 14.500 milhões de euros aos detentores da sua dívida pública. Para Jean-Claude Juncker, que também lidera o Governbo do Luxemburgo, a simples possibilidade da insolvência do país deveria “dar aos gregos músculos, ao passo que neste momento apenas dão sinais de paralisia”, lamentando o atraso no processo de privatizações.

“A Grécia deveria saber que não vamos ceder no tema das privatizações”, advertiu Juncker, destacando o mau contributo que a “existência de elementos corruptos em todos os níveis da administração” dá para a imagem do país.