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Um empate que soube melhor ao FC Porto

"Leões" e "Dragões" anularam-se
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"Leões" e "Dragões" anularam-se Foto: Rafael Marchante/Reuters

A 17 de Março de 1996, Domingos Paciência marcou um dos dois golos da vitória do FC Porto sobre o Farense, que estabeleceram um recorde dos “dragões” de 53 jogos sem perder no campeonato. Perto de 16 anos depois, o ex-avançado, agora no banco do Sporting, não conseguiu evitar que a sua ex-equipa igualasse esta marca mítica em Alvalade, onde ironicamente registou a última derrota, em 28 de Fevereiro de 2010. Na próxima jornada, em casa, frente ao Rio Ave, o conjunto de Vítor Pereira pode fazer história e aproximar-se do recorde nacional de 56 encontros invictos do Benfica.

Neste sábado, “leões” e “dragões” demonstraram que, mais do que vencer, queriam, a todo o custo, evitar o mal maior, que seria a derrota neste clássico. Não será, assim, de estranhar que as duas equipas tenham, acima de tudo, apostado no erro do adversário para chegar ao golo. O empate acabou por ser mais comprometedor para o Sporting, que poderá ver o Benfica (que joga hoje frente à União de Leiria, na Marinha Grande), cavar um fosso que pode ser definitivo para as aspirações leoninas ao título nacional. Já para os portistas, a divisão de pontos acaba por ser um resultado positivo, em Lisboa, frente a um adversário directo frente ao qual não sofreu golos pela primeira vez desde 2005-06.

A maior surpresa do clássico saiu da cartola de Domingos Paciência, que apostou na estreia do jovem Renato Neto, recém-chegado a Alvalade, como novidade neste mercado de Inverno. O jogador (ex- Cercle de Brugge) foi o vértice mais recuado do triângulo do meio-campo leonino, atrás de Elias e Schaars. De resto, poucas novidades no Sporting, exceptuando o facto de a equipa apresentar nada menos do que oito estreantes num clássico com o FC Porto.

Do lado contrário, Vítor Pereira foi mais conservador no risco: a única (meia) surpresa foi a chamada de Cristian Rodríguez para o lado canhoto do tridente atacante, com Djalma no lado contrário e Hulk no meio, mas com os jogadores a trocarem muito de posição.

Numa partida que arrancou de forma eléctrica, os “leões” começaram melhor e mais perigosos, mas os visitantes rapidamente equilibraram os acontecimentos, com o encontro a intercalar ciclos de perigo em uma e outra área. Apostando num futebol mais directo, para fugir à pressão leonina no meio-campo, os “dragões” privilegiaram as faixas laterais no primeiro tempo, em particular a canhota, para surpreender a equipa da casa.

Relevante é o facto de grande parte das oportunidades de golo (nomeadamente na primeira metade) terem resultado de lances de bola parada. Do lado do Sporting, um livre, logo aos 2’, e um canto, aos 28’, originaram defesas apertadas de Helton, sobrando no segundo tempo, aos 72’, mais um canto, cabeceado por cima por Izmailov (entrado aos 62’, para o lugar de Carrillo). Já os “dragões” investiram nos cantos estudados para pôr em sentido a equipa da casa: aos 7’ (com Belluschi a rematar ao lado), 13’ (Maicon, na pequena área obriga a grande defesa de Patrício) e 24’ (Otamendi cabeceia ao lado).

As excepções às bolas paradas surgiram na segunda parte, com Hulk (57’) e Wolfswinkel (76’) a permitirem defesas dos guarda-redes adversários. Mas os desperdícios mais escandalosos estavam guardados para a recta final, um para cada lado. Primeiro, aos 83’, Izmailov, com espaço na área, dominou, mas deixou Álvaro Pereira salvar sobre a linha de golo; em cima do apito final, James (entrado aos 59’ para o lugar de Djalma) imitou o russo, mas na hora do remate viu a bola embater, não num adversário, mas no colega Otamendi. Foram as derradeiras emoções de uma partida jogada de forma aberta, mas cautelosa, onde a divisão de pontos é um resultado perfeitamente ajustado.

POSITIVO
Assistência

Foram 48.855 adeptos a Alvalade assistir a este jogo, transformando o clássico com o FC Porto no jogo recordista de assistências nesta temporada no recinto leonino. Uma festa que honrou o espectáculo no relvado.


James

Entrou e procurou dinamizar o jogo atacante do FC Porto. Depois de uma remate forte, por cima da trave, acabou por desperdiçar uma das melhores oportunidades da sua equipa, atirando contra Otamendi.


Vítor Pereira

Muito criticado, o técnico portista lá vai mantendo a invencibilidade da sua equipa no campeonato e está muito perto de inscrever o seu nome na história do clube neste capítulo. Não arriscou em demasia, mas saiu de Alvalade mantendo a sua equipa depender de si própria para revalidar o título.


Izmailov

Um regresso bastante aplaudido, que teve duas oportunidades para ser abrilhantado com um golo.


Renato Neto

Uma estreia sem grandes sobressaltos da grande surpresa entre os titulares neste clássico.


NEGATIVO
Capel e Carrillo

Esperava-se muito mais dos dois extremos leoninos, mas pouco deixaram do seu futebol, demonstrando grandes limitações físicas para aguentar o ritmo do encontro.


Djalma

Não fez a diferença que se esperaria. Esteve melhor a defender do que atacar, mas para a sua equipa seria mais desejável o contrário


Ficha de jogo

Sporting 0FC Porto 0

Jogo no Estádio José Alvalade, em Lisboa.Assistência 48.855 espectadores.

Sporting

Rui Patrício, João Pereira, Onyewu, Polga, Insua, Renato Neto (Matías Fernández, 53)’, Schaars, Elias, Carrillo (Izmailov, 62’), Capel (Evaldo, 69’) e Wolfswinkel.Treinador Domingos Paciência.


FC Porto

Helton, Maicon, Rolando, Otamendi, Álvaro Pereira, Fernando, João Moutinho, Belluschi (Defour, 68’), Djalma (James Rodríguez, 59’), Cristian Rodríguez (Kléber, 77’) e Hulk.Treinador Vítor Pereira.


Árbitro Pedro Proença (Lisboa).Amarelos Elias (2’), João Moutinho (27’), Otamendi (29’), Carrillo (45+1’), Polga (46’), Fernando (63’), Hulk (66’) e Schaars (84’).

Notícia actualizada às 23h07