Declarações no final do dia de greve geral

Miguel Relvas: “A austeridade tem de ser assumida como a solução”

Relvas qualificou as medidas tomadas como "reformistas"
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Relvas qualificou as medidas tomadas como "reformistas" Foto: Nuno Ferreira Santos/arquivo

Para o ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares a “frustração dos portugueses é compreensível”, mas “não há alternativa ao caminho” que o Governo está a seguir. “A austeridade tem de ser assumida como o caminho e a solução para o problema a que nós hoje chegámos”, insistiu Miguel Relvas, no final do dia da greve geral, quinta-feira.

O titular da pasta dos Assuntos Parlamentares, em declarações à noite à RTP, no final do dia da greve geral contra as medidas de austeridade, concretamente contra o corte do 13º e 14º mês no sector público e o aumento do tempo de trabalho no sector privado, começou por dizer que respeita os portugueses que exerceram o direito à greve mas defendeu que, ao longo dos últimos anos, o país gastou “o que tinha e o que não tinha”, deixando “disparar o desemprego e aumentar a dívida”.

A greve geral terminou com a detenção de sete manifestantes, tendo um agente da polícia ficado ferido na sequência de confrontos à frente da Assembleia da República. Quanto a números, o Governo apresentou um balanço final de adesão à greve de 10,48%, que as centrais sindicais apelidaram de "manipulação", falando antes num "êxito".

O governante sustentou que “as medidas que estão a ser tomadas são reformistas e são medidas que têm um objectivo: corrigir o rumo que Portugal seguiu nos últimos anos”, frisando ainda que o Executivo está no poder há apenas cinco meses. Ainda assim, reconheceu que a “austeridade é penalizadora”, mas garantiu que o Governo está a pedir sacrifícios sobretudo aos que estão em melhores condições de ajudar o país.

O ministro recordou, depois, que foi criado um Plano de Emergência Social há dois meses “para apoiar os que mais necessitam”, e que em sede de concertação social têm estado sempre disponíveis para dialogar.

“Estamos profundamente convictos de que os portugueses também sabem que este caminho difícil que estamos a trilhar é o caminho para a solução dos problemas”, afirmou, acrescentando que “enquanto não controlarmos a nossa dívida e a nossa despesa não vamos ter a economia a crescer e não vamos poder combater o desemprego, que é a nossa grande chaga”.

Ainda sobre o desemprego, Relvas considerou que o país começou demasiado tarde a combatê-lo, garantindo que não há alternativa à “postura reformista” do Executivo. “Nós só teremos alternativa à situação delicada se corrigirmos o caminho que seguimos ao longo dos últimos anos. A austeridade tem de ser assumida como o caminho e a solução para o problema a que nós hoje chegámos”, concluiu.

Já antes, no final do Conselho de Ministros de ontem, Relvas tinha dito que o Governo compreende e respeita o direito à greve, mas considerou que “a situação em que Portugal se encontra só será ultrapassada com muito trabalho e muita serenidade”. No entanto, citado pela Lusa, escusou-se a fazer um balanço ou a avançar uma estimativa do Governo quanto à adesão à greve geral: “Para nós a greve geral não é uma guerra de números”. Sobre alguns incidentes registados no dia da greve, o ministro disse tratarem-se de “casos isolados” e rejeitou que o Governo possa estar a perder o controlo da situação social.

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