Cavaco elogia “maturidade cívica” dos portugueses face à crise

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Cavaco Silva tem feito da apologia de Portugal uma das missões da sua viagem aos Estados Unidos Pedro Cunha/arquivo

“Existe na sociedade portuguesa um amplo reconhecimento da necessidade de prosseguir esse esforço, apesar dos sacrifícios que daí decorrem”, sublinhou.

A estabilidade social e o consenso político interno para a aplicação das medidas de austeridade económica têm sido uma referência constante nos contactos da diplomacia portuguesa com entidades norte-americanas nos últimos meses, numa tentativa de descolar o caso português de países como a Grécia.

Cavaco Silva, que tem feito da apologia de Portugal uma das missões da sua viagem aos Estados Unidos, discursava no sábado à noite (madrugada em Lisboa) na cerimónia de gala do 20º aniversário da maior organização luso-americana, PALCUS (Portuguese-American Leadership Council of the United States), onde lançou um apelo à diáspora portuguesa que “apoie o esforço que está a ser feito pelos seus irmãos de Portugal”.

Referindo-se a “uma crise de natureza sistémica, que em larga medida nos ultrapassa”, o presidente afirmou que Portugal pretende transformá-la numa “oportunidade para sanear a sua situação financeira e para introduzir reformas que garantam a competitividade da sua economia”.

Curiosamente, foi um discurso que começou com a menção de um teórico da desobediência civil. No início, Cavaco Silva citou Henry David Thoreau, autor e filósofo americano do século XIX que escreveu o ensaio político Desobediência Civil, uma defesa da resistência individual ao Estado. O pensamento de Thoreau, por vezes descrito como um anarquista, influenciou Ghandi e Martin Luther King. Cavaco não citou Desobediência Civil, mas outra obra de Thoreau, "Walden ou a Vida nos Bosques".

O Presidente viaja hoje para a Califórnia, onde terminará a sua visita na terça-feira.

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