Charlie Hebdo é Sharia Hebdo na próxima edição

Maomé “edita” número de semanário satírico francês

“Não nos parece que tenhamos provocado mais do que o costume", disse o director da publicação
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“Não nos parece que tenhamos provocado mais do que o costume", disse o director da publicação DR

O jornal garante que não quer ser “especialmente provocador” e explica que a ideia é “celebrar de forma adequada a vitória do partido islamista Ennahda na Tunísia”. Como? “Pedimos a Maomé para ser o director do próximo número”, explica num comunicado o semanário satírico francês Charlie Hebdo, rebaptizado Sharia Hebdo (ou semanário da lei islâmica).

“O profeta do islão não se fez rogado ao convite e agradecemos-lhe por isso”, continua. Na capa do próximo número, que chega nesta quarta-feira às bancas, aparece Maomé a dizer “100 chicotadas se não estão a morrer a rir”. No interior, os leitores vão encontrar um editorial intitulado Aperitivo Halal (permitido para consumo) e um suplemento chamado Madam Sharia. A terminar, na contracapa, “as capas às quais escapou”, com Maomé de nariz vermelho de palhaço e a frase: “Sim, o islão é compatível com o humor”.

“Não nos parece que tenhamos provocado mais do que o costume. Fizemos o nosso trabalho como habitualmente. A única diferença é que desta vez temos Maomé na capa e isso é raro”, disse à AFP o director da publicação, Charb. Quisemos “comentar um facto da actualidade”, sem “representar Maomé como extremista”.

Em 2007, o antigo editor do semanário foi ilibado de insulto aos muçulmanos ao publicar os cartoons de Maomé originalmente divulgados pelo jornal dinamarquês Jyllands-Posten, dois anos antes. A publicação desses cartoons desencadeou protestos violentos em diferentes países muçulmanos em Janeiro e Fevereiro de 2006.