Iniciativa gratuita decorre das 14h às 19h

Artistas de Lisboa estão de portas abertas e mostram tudo este fim-de-semana

O programa envolve artistas conhecidos e desconhecidos
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O programa envolve artistas conhecidos e desconhecidos Enric Vives-Rubio/Arquivo

A forma como trabalham os artistas e os materiais que usam, o processo de criação e os seus segredos vão estar a descoberto este fim-de-semana em Lisboa com a iniciativa Abertura de Ateliês de Artistas. Porque por trás de uma obra está sempre um espaço e uma história que poucos conhecem, os artistas estão dispostos a mostrá-lo e a contá-la entre amanhã e domingo.

Entre nomes mais conhecidos, como Miguel Palma e José Luís Neto, e outros que são estudantes da Faculdade de Belas-Artes de Lisboa, a iniciativa, que acontece pela segunda vez, é organizada pela Associação Castelo d"If e conta com mais de 130 artistas de 35 ateliers diferentes espalhados pela capital.

"A ideia é o público entrar e contactar com os artistas, sem medo ou vergonha", diz ao PÚBLICO Hilda Frias - uma das impulsionadoras da AAA - e que, ao lado de Carlos Alves, importou a ideia de Marselha, onde a abertura dos ateliers acontece há 13 anos.

"Nós organizamos a iniciativa e o circuito, depois o que acontece em cada atelier é da responsabilidade dos artistas", acrescenta Hilda Frias. Não será de estranhar por isso a diversidade de artistas convidados, um ou outro cocktail, visitas guiadas e até workshops, entre o Campo Pequeno, Entrecampos, Santa Apolónia, Saldanha, Marquês de Pombal ou o Chiado.

Tudo começou com um simples intercâmbio. Em 2009, a Associação Castelo d"If contactou a organização francesa, Château de Servières, para trazer o evento para Portugal. E, em menos de um ano, aconteceu. A Château de Servières convidou um grupo de artistas portugueses a participarem na iniciativa em Marselha e, em troca, teriam apenas de receber os anfitriões franceses em Lisboa.

"O intercâmbio correu muito bem e o ano passado conseguimos organizar o primeiro AAA, que contou com artistas como a Joana Vasconcelos. Foi um grande sucesso e tivemos mais de 1000 visitantes", conta Hilda Frias, explicando que a iniciativa é uma oportunidade não só para os coleccionadores e galeristas, como para o público em geral que "normalmente tem curiosidade, mas tem medo de entrar". "Isto é o desmistificar dessa ideia, é uma oportunidade de aproximar o artista do seu próprio público."

Durante os próximos dois dias, das 14h às 19h, os ateliers vão estar abertos e os artistas à espera dos visitantes, dispostos a mostrarem o local de trabalho e prontos para responderem a qualquer pergunta dos mais curiosos. Da escultura à pintura, passando pela fotografia e pelo vídeo, até à instalação e à performance, há trabalhos e artistas de todo o género. "Isso é que é bom. Através do nosso mapa [disponível no site http://www.assoc-castelodif.pt], as pessoas podem traçar um percurso de acordo não só com os artistas que mais lhes interessam como também de acordo com as áreas", sublinha a responsável.

Para o artista Rodrigo Bettencourt da Câmara, apesar de esta ser a segunda vez que abre as portas do seu atelier e de até já ter ido a Marselha com o seu trabalho, a AAA continua a ser uma actividade "inédita em termos de acontecimento cultural". "Mostrar o mundo interior dos artistas, o que estão a fazer e todo o processo de criação é muito interessante", diz Rodrigo. Acrescenta: "[Por vezes] ainda resistimos muito a abrir as portas." Como já foi convidado em Marselha, no seu atelier, no mesmo lugar, vai estar presente Karine Maussière, uma artista francesa, para mostrar o seu trabalho, e ainda o fotógrafo José Luís Neto, vencedor do BES Photo 2005.

"Existe realmente uma informalidade engraçada", observa Rodrigo Bettencourt da Câmara, explicando que para aqueles que gostam de comprar arte esta relação íntima e próxima que o encontro proporciona é muito importante. "É importante para as pessoas que compram arte que conheçam os artistas e assim entendam o seu trabalho. É giro, as pessoas querem ver, perguntar..."

Miguel Palma, que também já abriu o seu atelier em 2010, destaca o circuito diferente que Lisboa ganha com a iniciativa e que permite descobrir não só artistas emergentes, como novos espaços.

"O atelier pode ser um local aberto ou fechado, depende do artista, mas eu não vejo problema algum em mostrar e explicar o meu trabalho desta forma." Para evitar períodos de maior confusão, o artista impôs apenas uma regra: a marcação de visitas. Se assim não for, a atenção pode não ser a mesma e esse não é o propósito da Abertura de Ateliês de Artistas.

A avaliar pela edição do ano passado, Hilda Frias não tem dúvidas: "Vai ser um sucesso. Fizemos apenas uma vez e as pessoas adoraram e pediram-nos para repetir."