Manifestações em Lisboa e no Porto

Trabalhadores vão fazer uma semana de greves em Outubro

Estiveram 130 mil pessoas na manifestação em Lisboa, estima a CGTP
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Estiveram 130 mil pessoas na manifestação em Lisboa, estima a CGTP Foto: Miguel Manso
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Manifestação no Porto reuniu entre 50 e 60 mil pessoas
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Manifestação no Porto reuniu entre 50 e 60 mil pessoas Foto: Ricardo Castelo/NFactos
Manifestantes descem da Batalha para a Praça da Liberdade, no Porto
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Manifestantes descem da Batalha para a Praça da Liberdade, no Porto Foto: Ricardo Castelo/NFactos

Uma semana de “greves e paralisações”, entre 20 e 27 de Outubro, é uma das acções hoje decidida em manifestações promovidas pela CGTP contra as medidas de austeridade do Governo.

Numa resolução aprovada no final dos protestos, realizados em Lisboa e no Porto, os trabalhadores afirmam que irão promover uma semana de luta “com forte dinâmica reivindicativa, assente na realização de um vasto conjunto de greves e paralisações nos locais de trabalho dos sectores público e privado”. Também estão previstas “acções com expressão de rua”.

A manifestação de hoje reuniu largos milhares de pessoas nas ruas de Lisboa e do Porto. Só na capital, a CGTP fala em 130 mil participantes. No Porto, terão sido 50 a 60 mil pessoas, segundo a organização. A PSP não forneceu uma estimativa própria para Lisboa. Para o Porto, um agente citado pela Lusa mencionou 25 mil participantes.

O protesto foi convocado pela CGTP, “contra o empobrecimento e as injustiças”. A organização sindical considera que as medidas de austeridade que têm sido impostas aos portugueses levam à recessão económica e consequentemente ao aumento do desemprego e da precariedade.

Mas as queixas que se fizeram ouvir nas ruas foram muito além das questões do trabalho. Aumentos na energia e nos transportes públicos, contra os cortes nos subsídios de Natal, na saúde e nos apoios à cultura foram apenas algumas das razões que levaram as pessoas a sair de casa.

No final da manifestação, o secretário-geral da CGTP, Carvalho da Silva, disse que o primeiro-ministro “andou, conscientemente, a mentir aos portugueses” durante campanha eleitoral. O líder da Intersindical considera que os 100 dias da governação PSD-CDS foram “uma desgraça” e lançou um apelo ao PS: “Não sejam complacentes”.

“Nós percebemos a situação política, mas queremos dizer, sem arrogância, que o Partido Socialista não pode continuar prisioneiro do memorando da troika. Não pode haver condescendência. Não pode haver hesitações, complacência com as políticas neo-liberais e neo-conservadoras”, disse Carvalho da Silva, depois de aludir a uma união dos partidos de esquerda.

O sindicalista acusa PSD e CDS-PP de não terem uma “visão para o país em termos de desenvolvimento”, lembrando que o caminho que Portugal está a percorrer, cumprindo o memorando de entendimento com a troika, é o mesmo que conduziu a Grécia à sua actual situação. “A Grécia está como está exactamente porque se submete [às regras impostas pela troika]”, sublinhou.

“Ai de nós se acreditarmos no que está escrito naquele memorando”, alertou Carvalho da Silva. “Não há democracia se houver uma economia desestruturada”, afirmou. E acusou a União Europeia de implementar uma forma de governação “cada vez mais carregada de duros sacrifícios para o povo”.

O secretário-geral da CGTP defende que é necessário “um projecto político alternativo”, que aposte no combate à fraude e à evasão fiscal, e que taxe “a verdadeira riqueza”. “A solução está na construção de uma dinâmica e de uma luta colectiva”, frisou. “Afirmar caminhos únicos é uma forma de pôr em causa a democracia”, acrescentou.

“Caminhámos muito. A sociedade portuguesa está muito mais moderna e muito mais justa, apesar de todas as dificuldades. É muito importante dizer que não se pode cortar nos direitos das gerações mais jovens”, continuou Carvalho da Silva. “Querem baixar as condições de vida e as condições de trabalho porque não têm outra solução. Custou tanto para chegar aqui, não desarmemos.”

O sindicalista deixou também um aviso aos mais novos, habituados a viver num Estado social: “É preciso continuar a lutar pelo direito à saúde, à segurança social, à protecção na velhice, por infra-estruturas que propiciem o desenvolvimento da sociedade. Os mais jovens têm interiorizado que isto faz parte da vida – e ainda bem que assim é. Mas cuidado...”

Notícia actualizada às 19h05
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