Crítica

Amor, Estúpido e Louco

Podia ser a melhor comédia romântica que vimos em muito tempo, se não se desse o caso de não ser propriamente uma comédia romântica; antes uma comédia melancólica, adulta, lúcida, algo amarga, sobre o amor e as voltas que ele nos dá à cabeça. Segunda realização dos argumentistas Glenn Ficarra e John Requa (autores de “Eu Amo-te Philip Morris”), “Amor, Estúpido e Louco” esconde por trás do seu mosaico fluido de romances desencontrados na Los Angeles contemporânea uma série de personagens que transcendem o “boneco” e não se esgotam no mero gague de passagem. Aqui, mesmo que haja um final feliz (um bocadinho puxado, mas pronto), as coisas não são forçosamente simples, ninguém é perfeito, toda a gente dá tiros no pé. E o elenco de luxo abocanha estas personagens como cão que não larga osso, mesmo quando a multiplicidade de histórias que têm de se meter em duas horas do filme acaba por tratar mal algumas delas. A vitória, contudo, vai todinha para o sedutor imbatível com um segredo de Ryan Gosling, que liga o charme no máximo e explica que para se ser uma estrela também convém ser um actor.