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O FC Porto ainda resistiu, mas Lionel Messi destruiu

O Barcelona venceu a Supertaça pela quarta vez
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O Barcelona venceu a Supertaça pela quarta vez Reuters

O que fazer contra uma equipa que é considerada uma das melhores de sempre? Como contrariar um domínio que assenta na posse de bola, no passe e desmarcação? Como enervar uma equipa que não se enerva e que tem absoluta confiança nas suas capacidades? Em teoria, a resposta óbvia é: jogar da mesma maneira e esperar que, de um equilíbrio de forças, apareça alguém que desequilibre. Mas quem joga contra o Barcelona tem quase sempre o mesmo fim e nesta sexta-feira não foi excepção. Lionel Messi desequilibrou e o FC Porto saiu do Mónaco derrotado por 2-0, naquela que foi a sua quarta presença na Supertaça europeia.

Foi essa a estratégia inicial do FC Porto, o jogar de igual para igual, tentando de alguma forma justificar a comparação (lisonjeira) com o Barcelona, tanto no estilo como na atitude perante o jogo. Quando Guardiola diz que o Barcelona ainda precisa de tempo para estar ao seu melhor nível, tem razão. Os jogos com o Real Madrid provaram isso mesmo, o Barça ainda leva algum tempo a entrar no jogo e os primeiros minutos são os melhores para atacar.

E o FC Porto nunca esteve melhor no jogo do que nos primeiros minutos, em que teve bola, aproximou-se da baliza de Valdés e tinha Hulk para fazer a diferença. Encostado à direita, o avançado brasileiro furava por todos os que lhe apareciam à frente e criava espaços, bem mais que Cristián Rodríguez, o “ovni” no "onze" portista lançado por Vítor Pereira em prejuízo de Varela.

Os remates foram aparecendo e Valdés foi o primeiro a brilhar no Barcelona, desviando, logo aos 7’, um perigoso tiro de João Moutinho. Tal era a presença do FC Porto no terreno do Barça, que conseguiu mesmo ganhar dois livres perigosos, desperdiçados por Hulk e Guarín. Mas à medida que a rotação catalã emergia, menos se notava o atrevimento portista, que foi recuando e recuando, passando a ser mais espectador do que parte activa no jogo.

Xavi e Iniesta já tinham aquecido e começaram a controlar o meio-campo, encontrando sempre o melhor destino para a bola. Se David Villa parecia ter algumas dificuldades em fugir ao fora-de-jogo, já Pedro Rodríguez e Dani Alves criavam muitos problemas a Fucile. Quanto a Messi, andava por ali, à espera de um passe e de meia dúzia de centímetros de espaço para resolver. Aos 29’, o pequeno argentino deu um sinal. Depois de se ter envolvido numa pequena quezília com o compatriota Otamendi, pegou na bola, fintou o central argentino e Sapunaru e tentou metê-la em Villa, mas o asturiano chegou atrasado.

O segundo sinal de Messi foi a contar. Minuto 39’: Guarín faz um passe para o lado errado do campo, Sapunaru deixa passar e Messi, que estava a recuar no terreno, viu-se, de repente, com a bola nos pés e apenas Helton pela frente. E não falhou, naquele que foi o seu primeiro golo na Supertaça europeia. Golo na baliza do FC Porto e tarefa muito mais complicada para os homens de Vítor Pereira. Ao intervalo, um dado estatístico que era revelador, o da posse de bola: como é habitual, bem mais para a equipa de Guardiola, 70 por cento.

Vítor Pereira não tinha grandes armas no banco e atacou a segunda parte com os mesmos que iniciaram o jogo. Hulk reapareceu um bocadinho, Guarín parecia querer redimir-se do erro no lance do golo e, durante alguns minutos, o FC Porto voltou a ter bola. Um remate forte do médio colombiano obrigou Valdés a mais uma boa defesa e dava um sinal de esperança à formação portista. Só que o Barcelona não é equipa que se desfaça quando o adversário carrega e, com toda a tranquilidade, foi esperando que o FC Porto gastasse as últimas forças.

Foram entrando Belluschi, Varela e Fernando para tentar mudar alguma coisa e Vítor Pereira tentou uma adaptação nunca vista, a de Guarín a ponta-de-lança, tudo a soar a solução de desespero para um técnico que tinha uma tarefa destas apenas ao seu quarto jogo como técnico principal dos “dragões”. Tudo podia, no entanto, ter mudado aos 79’, quando os portistas reclamaram uma falta de Abidal sobre Guarín na área do Barcelona. Houve, de facto, um toque do defesa francês, mas nem o holandês Bjorn Kuipers, nem os assistentes assinalaram penálti.

Duas expulsões tardias

Nada a fazer depois disto. Rolando foi expulso aos 86’, Guarín também viu o vermelho aos 90’, e, pelo meio, mais uma pequena obra de arte de Lionel Messi e do novo/velho jogador do Barcelona, Cesc Fàbregas, que entrara poucos minutos antes. Cruzamento do argentino e golo do catalão, o primeiro em jogos oficiais desde que regressou ao clube.


No final, papelinhos “blaugrana” para colorir a festa catalã, mais uma, a 12.ª com Guardiola ao comando. É um hábito de ganhar que não parece que vá perder tão cedo. Ficaram desta vez guardados os papelinhos azuis e brancos. Apesar da derrota, o FC Porto pertence claramente à elite europeia – o seu currículo nas grandes competições assim o comprova -, merece lá estar e terá noites melhores na campanha da Liga dos Campeões que se aproxima. Só que ontem à noite o adversário chamava-se Barcelona. Que é de outra galáxia.

POSITIVOMessi

Depois do golo que marcou no Mónaco, já não há nenhuma competição em que o argentino não tenha marcado. A sua fraca figura não assusta, mas é um predador, que aproveita qualquer oportunidade para atacar de forma mortal. Para além do golo, ainda teve um cruzamento perfeito para dar as boas-vindas ao regressado Cesc Fàbregas.


Hulk

Sem Falcao, tem de ser ele a ter as responsabilidades ofensivas da equipa, até porque Kléber ainda não tem andamento para estas coisas. Quase sozinho causou muitos problemas à defesa do Barcelona e esteve perto do golo. Mas também ele se apagou com o resto da equipa.


NEGATIVOGuarín

Foi dele a “assistência” para o golo de Messi. O Barça já estava a acordar e o erro do colombiano só precipitou a derrota portista. Acabou a ponta-de-lança e foi expulso com um vermelho directo por uma falta dura.


David Villa

Foi o menos influente no ataque do Barcelona. Caiu demasiadas vezes em fora-de-jogo e não criou muitos problemas a Sapunaru. Alexis Sánchez, que o substituiu, esteve bem melhor.


Bjorn Kuipers

O árbitro holandês deixou passar um penálti de Abidal sobre Guarín que podia ter dado o empate. A falta existiu e foi mesmo à sua frente. Nada a dizer nas expulsões de Rolando e do médio colombiano.


Ficha de jogo

Jogo no Estádio Luís II, no Mónaco.


Assistência 18.048 espetadores.


Barcelona

Valdés, Dani Alves, Mascherano, Abidal, Adriano (Busquets, 63’), Keita, Xavi, Iniesta, Pedro Rodríguez (Fabregas, 80’), David Villa (Alexis Sánchez, 61’) e Messi. Treinador Pepe Guardiola

FC Porto

Helton, Sapunaru, Rolando, Otamendi, Fucile, Souza (Fernando, 77’), Guarín, João Moutinho, Cristian Rodriguez (Varela, 69’), Hulk e Kléber (Belluschi, 77’). Treinador Vítor Pereira

Árbitro

Bjorn Kuipers, da Holanda.

Amarelos

Cristian Rodriguez (30’), Iniesta (51’), Rolando (64’ e 86’), Guarin (81’).

Vermelho

Guarin (90’).

Golos

1-0, por Messi, aos 39’ e 2-0, por Fabregas, aos 88’.

Notícia actualizada às 22h50