Alargamento do terminal de contentores de Alcântara chumbado por razões ambientais

O projecto terá  "impactes muito significativos" também em termos paisagísticos
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O projecto terá "impactes muito significativos" também em termos paisagísticos

O aumento da poluição sonora e ambiental numa zona de vocação turística é o principal argumento dos técnicos que analisaram o alargamento do terminal de contentores de Alcântara, em Lisboa, para chumbar o projecto.

O parecer da comissão que procedeu à avaliação de impacte ambiental fala das consequências negativas “decorrentes do aumento do tráfego rodoviário de veículos pesados ao longo da Avenida de Brasília, junto à qual se situam inúmeros imóveis de elevado valor patrimonial”.

O previsto aumento do tráfego de navios no porto resultará em mais camiões TIR a circular para escoar as mercadorias trazidas nos contentores. “O aumento do tráfego de pesados neste eixo levará ao agravamento dos parâmetros relativos à qualidade do ar, ao ambiente sonoro e às vibrações, o que resultará na desqualificação ambiental das zonas especiais de protecção que envolvem um vasto conjunto de património classificado”, observam os técnicos.

Por outro lado, “em termos paisagísticos o projecto implicará a ocorrência de impactes muito significativos e não minimizáveis, nomeadamente no que se refere ao impacte visual decorrente da presença de contentores em frente às gares, facto que se torna particularmente relevante tendo em conta o valor patrimonial destes edifícios”.

Apesar de reconhecer a importância estratégica do terminal de contentores de Alcântara no desenvolvimento do sistema portuário nacional, o estudo considera que “os impactes paisagísticos são negativos e muito significativos, afectando em permanência a qualidade visual e o equilíbrio da paisagem ribeirinha, envolvendo um grande número de utentes da cidade, residentes e turistas”.

O PÚBLICO tentou, até ao momento sem sucesso, obter um comentário do Ministério do Ambiente sobre as consequências práticas deste parecer, numa altura em que o prolongamento do contrato entre o Governo e a concessionária do terminal, a Liscont, com vista ao seu alargamento foi anulado pelo Parlamento, estando o conflito a ser dirimido em sede de tribunal arbitral. Mas sem sucesso. Na Mota-Engil, grupo a que pertence a Liscont, também não houve ninguém disponível para tecer comentários sobre o assunto.

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