Crítica

127 Horas

Boyle transforma um história verídica de sobrevivência - um homem, uma rocha a imobilizar-lhe o braço e 127 horas - numa promoção MTV de desportos radicais, com o "quando for escalar o 'canyon' diga para onde vai" a fazer as vezes de "se conduzir não beba". E não consegue fugir à sua natureza, isto é: transformar tudo em lava audiovisual. Em favor de uma experiência sensorial? Sim, é verdade, às tantas entramos pela boca de James Franco. Mas para haver experiência sensorial, tem de haver cineasta, e não apenas um oportunista das imagens. Que tem o condão de, anulando espaço e tempo - não sabendo como criar essas dimensões, incapaz de criar claustrofobia, jogando no atordoamento -, transformar o seu actor principal, James Franco, num figurante.