POSITIVO e NEGATIVO

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Gourcuff
Foi quem comandou as operações do Lyon a meio-campo. A sua capacidade de passe ajudou a ultrapassar a estratégia de pressão alta ensaiada pelo Benfica.

Lisandro
Como fazia quando jogava pelo FC Porto, o argentino voltou a mostrar apetência para marcar ao Benfica. Com o golo desta quarta-feira, passaram a ser quatro vezes as que os “encarnados” sofreram com a sua pontaria.

Roberto
Não fosse pelo guarda-redes espanhol e o Benfica poderia ter saído do Stade de Gerland com uma goleada.

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Carlos Martins
Foi a partir de uma perda de bola sua que o Lyon marcou o primeiro.

Gaitán
O argentino teria passado despercebido, não fossem os dois amarelos (e o vermelho) que recebeu na primeira parte.
Liga dos Campeões

Benfica deixou de ter margem para falhar

Gaitán foi expulso pouco antes do intervalo
Foto
Gaitán foi expulso pouco antes do intervalo Reuters

Jorge Jesus talvez estivesse a ser demasiado optimista (ou exagerou nos “mind games”) quando, no dia anterior, afirmara que seria normal o Benfica ganhar ao Olympique Lyon. Porque nesta quarta-feira, no Stade de Gerland, os jogadores “encarnados” encarregaram-se de desmentir o seu treinador, realizando uma das piores exibições da época e perdendo por 2-0, em jogo a contar para a terceira jornada do Grupo B da Liga dos Campeões.

Depois do desaire em Gelsenkirchen frente ao Schalke 04, o Benfica sofreu o seu segundo desaire e complicou em muito as contas do apuramento para os oitavos-de-final, somando apenas três pontos e ocupando o terceiro lugar do grupo.

É verdade que na época passada o Benfica havia derrotado aquele que viria a ser o campeão francês, o Marselha, e talvez o Benfica da época passada tivesse conseguido qualquer coisa mais frente ao Lyon, mas talvez ainda faça sentido dizer que homens como Ramires ou Di María são difíceis de substituir e que a nova receita táctica de Jesus ainda é um “work in progress”. Ou então não tem os ingredientes certos.

Ora, Jesus prometera uma equipa fiel à sua identidade e cumpriu. Pressão alta e espírito ofensivo. Com um meio-campo de jogadores mais centrais e menos flanqueadores, mais o posicionamento de Saviola um pouco atrás de Kardec, os “encarnados” tentavam travar os homens de Claude Puel logo no seu meio-campo e avançar para a baliza aproveitando o desposicionamento defensivo do adversário quando tenta sair para o ataque. Mas esta é uma estratégia que depende do discernimento no passe e controlo de bola, algo que o Benfica mostrou desde cedo que não tinha.

Com dois “velhos” conhecidos do futebol português, Lisandro López e Aly Cissokho no “onze”, o Lyon fez por justificar o seu declarado (pelo treinador) favoritismo, aproveitando as falhas gritantes do Benfica no passe. Gourcuff era tudo aquilo que Aimar ou Carlos Martins não estavam a conseguir ser no Benfica, um homem que sabia bem onde colocar a bola. Podia ser para Michel Bastos, Briand ou Lisandro, que o perigo aparecia sempre junto da baliza de Roberto.

Foi assim que apareceu o primeiro golo do Lyon. Minuto 21, Michel Bastos remata ao poste, a bola chega aos pés de Carlos Martins, que a perde para Gourcuff. A bola volta a ir ter com Bastos, que cruza na perfeição para Briand fazer o 1-0. Favoritismo declarado por Puel, um treinador que até há pouco tempo era muito contestado em Lyon, favoritismo justificado por uma equipa que, tal como o Benfica, começou mal a época, mas que parece ter recuperado o seu caminho, mostrando argumentos para poder fazer carreira nesta Liga dos Campeões.

Mas ainda era tudo muito no início do jogo. Havia tempo para corrigir e recuperar. Talvez com um momento de inspiração de Saviola ou Aimar, talvez com uma bola parada de Carlos Martins. As hipóteses benfiquistas diminuíram tragicamente com a expulsão de Gaitán, aos 41’, depois de ter visto o segundo cartão amarelo. O jogo bem que podia ter ficado decidido logo ali. Se o Benfica já mal estava a conseguir dar resposta ao Lyon, ainda menos o fez a jogar com dez. E podia ter saído do Stade de Gerland com mais golos sofridos, não fosse a falta de pontaria dos avançados contrários e a inspiração do guarda-redes Roberto.

O ponto final no jogo aconteceu aos 50’. Com um remate colocado, Briand faz a bola embater no poste, vai em busca do ressalto, faz o cruzamento para a pequena área, onde Lisandro, no meio da confusão e mais rápido que a defesa benfiquista, faz o 2-0. Uma margem mais confortável para um triunfo que não se discute e que coloca o Lyon bem perto do apuramento para os oitavos-de-final de uma competição em que foi semifinalista na última temporada. As entradas de Peixoto, Jara e Salvio elevaram um pouco o jogo benfiquista, mas nada mudaram de essencial.

Com esta derrota, o Benfica, mesmo que Jesus tenha dito que este jogo não era essencial, deixou de ter margem para falhar.

Ficha de jogo

Lyon 2Benfica
0

Jogo no Estádio Gerland, em Lyon. Assistência 36.816 espectadores.

Lyon

Lloris 6, Réveillère 6, Cris 7, Diakhaté 7, Cissokho 6, Gonalons 7, Pjanic 7, Gourcuff 8 (Kallstrom -, 71’), Briand 8, Michel Bastos 7 (Pied 6, 64’) e Lisandro 7 (Gomis -, 82’). Treinador Claude Puel

Benfica

Roberto 7, Maxi Pereira 5, Luisão 5, David Luiz 5, Fábio Coentrão 6, Javi Garcia 5, Carlos Martins 4 (Salvio -, 77’), Gaitán 3, Aimar 5 (Jara 5, 71’), Saviola 4 (César Peixoto 5, 57’) e Kardec 5. Treinador Jorge Jesus.

Árbitro Alberto Mallenco 6, de Espanha.Amarelos Gaitán (34’ e 43’), Carlos Martins (37’), Réveillère (41’), Javi Garcia (67’). Vermelho por acumulação Gaitán (43’).

Golos

1-0, por Briand, aos 21’ e 2-0, por Lisandro, aos 51’.

Notícia actualizada às 22h14