Crítica

Wall Street

Há um momento estarrecedor, alguns segundos: Eli Wallach remata com um suspiro um "it''s the end of the world" (um grande actor deve ser isto). Há "punch lines": Gordon Gekko-Michael Douglas a dizer que, nos anos 80, a ganância era uma coisa boa e agora é uma coisa legal, ou aquela, no final, em que pergunta: "doesn''t anyone here believes in a comeback?".


Não, neste regresso - o Gordon Gekko de Wall Street (1987) saiu da prisão onde cumpriu pena por fraude, e já manobra de novo em Wall Street, onde encontra uma hipótese de pupilo (Shia laBeouf) - não acreditamos. Stone põe-se em bicos de pés, muito oportunista (o que é diferente de ser oportuno), a dizer "eu disse-vos que isto ia acontecer" - e isto é a crise, o fim do capitalismo tal como o conhecíamos e etc. Isto só não chega para um filme, dizer que já nos tinha dito no filme de 1987. Não há personagens, por isso. O pupilo LaBeouf é um esboço apressado das relações pai e filho, e suas variações, que perseguem a obra e a biografia de Stone. Gekko/Douglas é, no fundo, uma "guest star" do vazio.

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