Protagonista da jornada

Para Laionel, descoberto por acaso no Brasil, começa a ser um hábito marcar na Luz

Laionel a festejar o golo ao Benfica, o segundo da sua carreira no Estádio da Luz
Foto
Laionel a festejar o golo ao Benfica, o segundo da sua carreira no Estádio da Luz Hugo Correia/Reuters

Dos 48.905 espectadores que no passado domingo estiveram no Estádio da Luz, poucos terão ouvido falar no Grémio Esportivo Anápolis. A desconhecida equipa brasileira, que disputa a 2.ª divisão do Campeonato Goiano, ocupa um modesto 272.º lugar do ranking da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), mas esteve intimamente ligada ao triunfo da Académica sobre o Benfica.

Aos 93", Júnior Paraíba arrancou de forma decidida na direcção da área "encarnada" e entregou a bola a Laionel, que espantou a Luz com um remate a mais de 30 metros da baliza de Roberto que só acabou no fundo da baliza e fixou o 2-1 final. Para além de serem brasileiros, os dois jogadores que construíram a jogada que ditou a derrota do Benfica têm algo em comum: estão emprestados pelo Grémio Esportivo Anápolis aos "estudantes". Se Paraíba ainda é um desconhecido em Portugal, Laionel nem por isso.

Há três anos, durante a preparação da época 2007-08, o Boavista mandou um emissário ao Brasil para observar o Vila Nova, clube de Goiânia. O alvo da atenção era o defesa central Marcelão, mas foi um jovem de 21 anos, franzino e muito veloz, que se destacou num treino. A contratação do defesa foi relegada para segundo plano e, antes de Marcelão assinar pelo Boavista, os "axadrezados" já tinham assegurado o empréstimo de Laionel por uma época. Apresentado no Bessa como um extremo "à Jaime Pacheco", por ter como principais características a velocidade e o drible fácil, Laionel sentiu dificuldades nos primeiros tempos. A adaptação ao futebol europeu e a concorrência de Mateus e Zé Kalanga deixaram o brasileiro fora das opções de Pacheco na primeira volta, mas a carreira de Laionel sofreu um volte-face no início de 2008. Mateus e Kalanga foram convocados pela selecção angolana para disputar a Taça das Nações Africanas, o brasileiro ganhou espaço no "onze" boavisteiro e explodiu a 3 de Fevereiro: três golos ao Paços de Ferreira - os únicos marcados ao serviço da equipa Bessa -, exibição de luxo e respeito conquistado junto dos adeptos "axadrezados".

Com a descida administrativa do Boavista, Laionel mudou-se para Setúbal. Tal como no Bessa, na formação sadina o extremo teve uma prestação irregular. Utilizado em 25 jogos, marcou apenas dois golos: um contra a Académica e outro no Estádio da Luz no empate (2-2) do V. Setúbal frente ao Benfica. Após uma passagem pela segunda divisão espanhola (Salamanca) na última temporada, Laionel voltou a Portugal. Na apresentação pelos "estudantes", lembrou o golo marcado à Académica para afirmar que agora queria marcá-los com a camisola da "Briosa". "Quero ter jogos felizes e fazer um bom campeonato", limitou-se a dizer. No domingo, no Estádio da Luz, Jorge Costa disse que o golo do seu jogador foi "lance de génio". Laionel, de forma modesta, admitiu: "Tentei rematar para o centro, mas a trajectória da bola acabou por desviar um pouco e foi melhor assim."

Sugerir correcção