Programas dos centros de Saúde incumpridos por falta de enfermeiros

Região de Lisboa precisa de duplicar enfermeiros para cuidados primários

“Há uma necessidade enorme de enfermeiros”, defende Rui Marroni
Foto
“Há uma necessidade enorme de enfermeiros”, defende Rui Marroni Fernando Veludo/NFACTOS

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) calcula que são necessários mais 1000 enfermeiros na região de Lisboa na área dos cuidados de saúde primários para garantir a qualidade dos serviços prestados.

As direcções regionais de Lisboa, Setúbal e Santarém do SEP entregaram hoje um abaixo-assinado na Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo no qual reivindicam a admissão de mais enfermeiros, fim dos contratos precários, reforço de materiais e equipamentos “indispensáveis” nas salas de tratamento e meios de transporte para as viaturas domiciliárias.

Em declarações à agência Lusa, Rui Marroni, da direcção regional de Lisboa do SEP, afirmou que a reorganização dos cuidados de saúde primários levou a uma “degradação” dos serviços prestados à população, principalmente pela “falta de enfermeiros”.

“Há uma necessidade enorme de enfermeiros”, avançou, adiantando que actualmente estão ao serviço dos cuidados de saúde primários do distrito de Lisboa apenas 1000 enfermeiros, quando são necessários outros mil, tendo em conta o rácio da Organização Mundial de Saúde, de 300 a 400 famílias por enfermeiro.

Rui Marroni sublinhou que a falta de enfermeiros é também visível no cumprimento dos programas desenvolvidos nos centros de saúde, uma vez que apenas o programa da vacinação está a ser cumprido.

O sindicalista defende que os centros de saúde devem ir buscar os enfermeiros que estão no desemprego, que são cerca de 500 em todo o país.

Rui Marroni disse ainda que ao nível dos cuidados domiciliários “há uma grande necessidade de equipamentos” e de recursos humanos, nomeadamente transporte, motoristas e auxiliares, uma vez que há enfermeiros “a fazer cuidados domiciliários de autocarro com a mochila às costas”. Relativamente aos centros de saúde, o director regional de Lisboa do SEP garante que há instalações a funcionar em prédios de habitação “com péssimos acessos”.