John Elkann é o novo rosto da Fiat global

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Os Agnelli não são apenas o automóvel. Têm na Itália um estatuto de "família real", que se ama ou odeia e a quem tudo se perdoa. Por isso a sucessão é também uma saga. John Elkann, 34 anos, tem um duplo desafio: manter unida uma família de mais de 70 herdeiros e transformar a Fiat numa empresa global.

John Philip Jacob Elkann é o novo rosto da dinastia Agnelli. Com um toque de Botticelli. Aos 34 anos, treze depois de ter sido designado "príncipe herdeiro", assume a presidência da Fiat. Quando, em Janeiro de 2003, morreu o seu avô Gianni Agnelli, "o último patriarca", o grupo de Turim parecia condenado. A missão de John Elkann, Jaki para os amigos, é fazê-lo entrar no século XXI. Antes dizia-se: "Os Agnelli são a Fiat, a Fiat é Turim, Turim é a Itália." Hoje, os Agnelli querem uma "Fiat global", mas sem abdicarem do controlo dinástico do império.

A passagem de testemunho foi formalizada a 20 de Abril, numa conferência de imprensa em Turim. O primeiro anúncio foi a cisão da Fiat em duas entidades, autonomizando o automóvel, onde está associada à Chrysler. No fim do ano, Fiat (automóvel) e Fiat Industrial estarão cotadas lado a lado na Bolsa de Milão. Para lá da indústria, o império alarga-se ao turismo, à imprensa ou ao futebol - o Juventus.

Não é apenas uma questão empresarial. Os Agnelli têm na Itália um estatuto de "família real", que se ama ou odeia, "e a quem tudo se perdoa". Os americanos compararam-nos com os Kennedy: glória, poder, dinheiro, escândalo, tragédia.

O clã do delfim

Vão na quinta geração. "São a única dinastia histórica do capitalismo italiano a conservar hoje uma posição comparável à da idade de ouro, a do nascimento da grande indústria moderna no fim de Oitocentos", escreve o jornalista Marco Ferrante, autor de Casa Agnelli, uma história da saga familiar.

Caído o pano sobre a terceira geração, a de Giovanni Agnelli (1921-2003), conhecido por Gianni ou Avvocato, e Umberto Agnelli (1934-2004), netos do fundador, emerge directamente a quinta, dita "pós-moderna": a de John Elkann e seu irmão Lapo (netos de Gianni), ou de Andrea Agnelli (neto de Umberto). Era também a de Giovannino (neto de Umberto), sucessor escolhido pelo Avvocato e que morreu em Dezembro de 1997, com 33 anos, fulminado por um cancro de estômago. Por isso, aos 21 anos, Jaki (diminutivo de Jacob) foi investido pelo avô no papel de delfim e nomeado para o conselho de administração da Fiat.

É um cosmopolita. Nasceu em Nova Iorque, no dia 1 de Abril de 1976, filho de Margherita Agnelli e Alain Elkann, escritor e jornalista franco-italiano, judeu sefardita pelo lado materno e askhenaze pelo paterno. Viveu em Paris, no Brasil, em Inglaterra. Tem dois irmãos, Lapo e Ginevra. Receberam educação católica, por imposição de Margherita, contra a vontade de Alain. Os pais divorciaram-se em 1980. Margherita casou-se de novo, com um conde de origem russa, dando a Jaki cinco meios-irmãos.

Em lugar de seguir para Oxford, teve de ir estudar Engenharia em Turim e, durante dez anos, foi "formado" por Gianluigi Gabetti, o consigliere financeiro da "Família", manipulador das holdings pelas quais os Agnelli controlam o seu império, fabricante de consensos e guardião dos segredos. "Ensinei-lhe tudo o que sabia como se fosse meu filho."

Como é norma dos herdeiros, trabalhou como operário e gestor em empresas do grupo, anónimo, e depois em empresas estrangeiras, nos EUA, Japão, Suíça. Fala inglês com Sergio Marchionne, o CEO (administrador executivo) da Fiat, francês com os irmãos, italiano com o resto da família.

Ao longo dos 13 anos de formação e ascensão, construiu uma reputação de seriedade. Dizem-no "tímido", "reflectido", "arrogante", "desconfiado", consoante os pontos de vista. E "coriáceo", assegura Ferrante. A imagem que sempre quis dar é a de garante da "continuidade familiar" e agente da passagem da Fiat à "indústria global".

Em 2004, casou-se com a princesa Lavinia Borromeo. Têm dois filhos: Leone e Oceano Elkann. O casamento aristocrático é uma norma da "Casa Agnelli" desde a segunda geração. O avô Gianni viveu quase sempre rodeado de actrizes, de Rita Hayworth a Anita Ekberg, mas casou-se com uma princesa, Marella Caracciolo - prima e sobrinha do cineasta Luchino Visconti.

Ginevra estudou cinema e casou-se no ano passado, em Marraquexe (onde vive a avó Marella), com Giovanni Gaetani Dell"Aquila d"Aragona, de uma casa nobre que remonta ao século XI. É hoje a "ministra" da Fiat para a cultura e a filantropia.

Tudo parece opor o "discreto" Jaki ao "pirotécnico" Lapo. Um ano mais novo, Lapo é designer, administrador do grupo, responsável pela imagem Fiat. Como o irmão, fez a sua aprendizagem, começando na cadeia de montagem da Piaggio, com uma greve em suplemento. Em 2001, quis "conhecer o poder" e pediu a Kissinger um estágio como assistente pessoal. Acompanhou-o durante um ano. "É o meu segundo avô", diz. Em troca, ensinou-o a ler jornais e a ver os resultados de futebol na Internet. Kissinger, íntimo dos Agnelli, conhece os Elkann desde meninos.

Lapo assume a origem judaica. Tem laços com Israel. Reza na igreja ou na sinagoga: "É o mesmo Deus." É uma vedeta mediática, em Itália ou nos Estados Unidos. A Vanity Fair elegeu-o em 2008 um dos dez homens mais bem vestidos do mundo. Tem por alcunha "Lapo do Luxo". Dá entrevistas desbocadas. Faz inimigos.

Em Outubro de 2005, eclode o escândalo. A família é chamada de urgência a um hospital de Turim: Lapo está em coma com uma overdose de cocaína, depois de ter passado a noite numa festa em casa de uma amiga transexual. Fez a primeira página em todos os jornais italianos, inclusive os da Fiat. "Exilou-se" na América por ano e meio. Pediu perdão e regressou ao palco. Raros o subestimam.

A "Família"

O primeiro teste de um delfim é estabelecer a autoridade sobre a família. No caso da Fiat não é simples. A "Família" tem quase 180 membros e mais de 70 são accionistas. Muitos não têm o nome Agnelli - podem ser Rattazzi, Furstenberg, Brandolini D"Adda, Campello, Hohenlohe, Camerana, Nasi e, naturalmente, Elkann. Não é fácil fazer coincidir os seus interesses nem as opiniões sobre a estratégia empresarial.

A coesão da família excede o plano empresarial, é também uma questão política e simbólica. Os Agnelli sabem que se deixarem de "ser a Fiat" perdem a sua autoridade social, o estatuto de "realeza" de que gozam, tornando-se banalmente em gente muito rica.

A dinastia tem uma lei: "Não podem reinar dois ao mesmo tempo." Gianni não se cansava de o repetir. A "Família" não é uma democracia. O herdeiro tem de evitar rupturas que ameacem o controlo familiar. No núcleo duro, as decisões são geralmente tomadas por consenso. O presidente tem a última palavra e representa a autoridade sem a qual a família se desagrega.

O "golpe" de 2004

Para garantir a legitimidade real de John, e não apenas a simbólica, o avô manipulou o testamento de forma a concentrar nos três irmãos Elkann 50 por cento da sociedade Dicembre, o que permite a Jaki controlar 34 por cento da sociedade por comandita Giovanni Agnelli & C., a qual, através da holding Exor, controla 30 por cento da Fiat.

Margherita, mãe de John, recebeu a parte patrimonial de Gianni, mas não as acções. Heresia: contestou judicialmente o acordo final assinado em 2004, que dizia discriminar os cinco filhos do segundo casamento. Perdeu a acção há dois meses e foi ostracizada por uma parte da família.

A "coroação" de Jaki não foi totalmente pacífica. Após a morte de Umberto Agnelli, em Janeiro de 2004, a Fiat estava ameaçada de falência. A "Família" estava dividida sobre a estratégia empresarial e a própria natureza familiar do império. Alguns queriam desfazer-se do automóvel. Giuseppe Morchio, o super-CEO da Fiat, contratado por Umberto para a salvar, exigiu a presidência e a entrada para a comandita, o "santo dos santos" dos Agnelli.

As septuagenárias irmãs Agnelli não perderam tempo. No dia seguinte ao funeral de Umberto, destituíram Morchio. Maria Sole, Susana e Cristiana foram apoiadas pelas cunhadas, as primas Caracciolo - Marella (viúva de Gianni) e Allegra (viúva de Umberto) - e ainda por Tiziana, chefe do poderoso clã Nasi. Não são "tias de salão". Susana, falecida em 2009, foi a única mulher ministra dos Negócios Estrangeiros de Itália. Maria Sole é a presidente da Fundação Agnelli. Tiziana é dirigente do Comité dos Jogos Paraolímpicos.

Designaram um presidente, Luca de Montezemolo, também presidente da Ferrari e da Cofindustria (confederação industrial). Promoveram Jaki à vice-presidência e nomearam o recém-chegado Sergio Marchionne CEO da Fiat, dotado de plenos poderes no automóvel. O objectivo era fazer o saneamento financeiro, preparar a reestruturação industrial e consolidar o poder de Jaki.

A operação foi facilitada pela crise da General Motors, que em 2000 adquirira 20 por cento da Fiat em troca de 5 por cento da GM. A sua retirada e o dinheiro fresco da indemnização salvaram a Fiat da falência quase iminente.

A estratégia

A Fiat foi fundada em 1899 por um visionário implacável, Giovanni Agnelli (1886-1945). Com a I Guerra Mundial, a empresa alarga a sua actividade a todos os terrenos - "terra, ar e mar" -, do tractor ao avião militar. No segundo pós-guerra, lança-se numa acelerada internacionalização. O "milagre italiano" dos anos 50-60, com a "motorização de massa", marca o apogeu. O limite era o céu.

Nos anos 80-90, a Fiat descobre que é mortal. Passa de quinto a décimo produtor mundial. O mercado automóvel muda aceleradamente e, apesar da implantação na Europa e na América Latina, a especialização no automóvel de baixa gama deixou de ser rentável. A Ferrari e a Maserati não contam, pois não são produção de massa.

Gianni Agnelli pensou unir-se à Ford, à Chrysler, à GM, à Daimler-Benz. Como aceder ao topo de gama? Como entrar no mercado americano? Em 2000, a margem de manobra é estreita e o Avvocato escolhe a GM. Preferia o domínio americano a ser engolido por um fabricante alemão. A Daimler-Benz não aceitava aliança, apenas admitia comprar.

A obsessão de Gianni, escreveu o jornalista Federico Rampini, era não ser o liquidatário da indústria automóvel herdada do avô. Hoje, a Fiat concentra-se no projecto de world car, para entrar nos mercados emergentes e no americano.

Em 2005, as acções da Fiat sobem 60 por cento num semestre. A crise de Detroit salva Turim. E, em 2009, a Fiat compra uma posição dominante na Chrysler, a chave da nova estratégia de diversificação de modelos e de acesso ao mercado americano. CEO da Fiat e da Chrysler, Marchionne dirige-as a partir de Detroit.

A reestruturação da Chrysler, escreve o Financial Times, é hoje a experiência mais atentamente observada pela indústria automóvel.

Dinastia

O italo-canadiano Sergio Marchionne é o patrão do automóvel. Nenhuma decisão é tomada contra ele e dispõe da cumplicidade de John Elkann. Dizem que John Elkann é apenas imperador e Marchionne o seu Bismarck. O mesmo se disse de Gianni Agnelli e Cesare Romiti, CEO e depois presidente da Fiat até 1996 (o Avvocato deixou o cargo aos 75 anos, continuando a mandar através da comandita). O imperador tem no entanto uma prerrogativa: nomeia e demite o chanceler. Assim o fez Gianni, afastando Romiti em 1996, ou suas irmãs despedindo Morchio.

John Elkann tem pela frente um duplo teste. O primeiro é o italiano. Em Turim, a Fiat era chamada La Mamma. Foi o grande empregador, primeiro no Norte e depois no Sul. Há uma galáxia de empresas que produzem para ela. Tornou-se no motor económico de Itália, o que permitiu aos Agnelli copiar o aforismo da General Motors: "O que é bom para a Fiat é bom para a Itália."

Hoje, perguntam os italianos: "Coincidem ainda os interesses da Fiat com os da Itália?" Responde Marchionne: não compete à Fiat resolver os problemas sociais da Itália. A fábrica de Mirafiori, em Turim, teve 40 mil operários: hoje tem nove mil. Mas a Fiat continua a ser o primeiro empregador privado, com um peso de três por cento no PIB italiano. Para o estatuto da "Família", é vital manter a produção automóvel na Itália, mesmo que em escala mais reduzida.

O outro teste é a questão "dinastia", a da natureza familiar do grupo. Paolo Fresco, antigo presidente, que aconselhou o Avvocato a desfazer-se do automóvel, declarou em 2005: "Estou convencido de que o conceito de dinastia está completamente ultrapassado. É o maior problema da estrutura industrial italiana. Para se tornar numa grande empresa a nível internacional, é necessário transformar-se em public company."

Na mesma altura, Andrea, primo e rival de Jaki, lançou um desafio: "A propriedade está cada vez mais fragmentada. Haverá cada vez mais espaço para uma democracia, porque no interior deste vasto arquipélago de pensamentos que é a comandita, será preciso convencer um número cada vez maior de pessoas. (...) O papel das famílias nas empresas tende a reduzir-se. Arriscam-se a ser um obstáculo para uma grande sociedade." Propunha o modelo da Ford, em que a família tem uma "participação simbólica", conservando o nome e a presidência. John Elkann mandou-o calar.

Por sua vez, o magnata Carlo de Benedetti, velho inimigo do Avvocato, ironizava: "A outra característica típica do príncipe da Renascença [Gianni] é o total desinteresse pelo que poderá acontecer depois dele. (...) Jaki é uma pessoa educada, simpática, mas ninguém teria pensado nele para vice-presidente da Fiat se não fosse neto de Gianni Agnelli. (...) As dinastias acontecem por excepção, não são a regra." Previu a desagregação da comandita após a morte das "tias octogenárias".

Mito e tragédia

Nos últimos anos saíram dezenas de livros sobre a saga da Fiat. "Os Agnelli, inclusive nesta última geração Agnelli-Elkann, conservam uma persistente capacidade de produzir bens para o imaginário, ou simplesmente inspirá-lo na combinação que, dos anos 20 até hoje, mantém inseparáveis a realeza de substituição da família e o fascínio da Fiat", escreve Marco Ferrante. A única que "produz material de celebridade global", das excentricidades de Lapo à aquisição da Chrysler.

O fascínio da Fiat não se limitou aos Agnelli. Consistiu também no seu reverso do capitalismo: Turim foi durante décadas a "fortaleza operária", referência de gerações inteiras de comunistas e esquerdistas europeus.

Cínico, playboy, figura do jet set internacional, manipulador político, Gianni Agnelli marcou uma era e ajudou a fixar o próprio mito. Escreveu no seu obituário Eugénio Scalfari, antigo director do jornal La Repubblica: "Herdou uma grande fortuna e com ela fez um império. Com o seu carisma, ditou modas e comportamentos. No fim, tornou-se uma instituição, o que mais gozo lhe dava - ser considerado uma cabeça coroada num mundo de repúblicas doravante saturado de arrivistas."

O seu funeral não foi apenas uma reunião dos poderosos e do jet set, foi um acontecimento de massas em Turim.

A casa real dos Sabóia, que há 150 anos partiu de Turim para unificar a Itália, é uma recordação longínqua. Já antes da República se tornara insignificante. Outra dinastia de Turim ocupou o seu lugar simbólico.

Não só o fascínio mas também as tragédias familiares reforçaram a identificação dos italianos com a "Família". As mortes de Eduardo, o primeiro herdeiro, atingido em 1935 pela hélice de um hidroavião Fiat e, dez anos depois, da mulher, a princesa Virgínia Bourbon del Monte, num acidente de estrada, deixaram sem pais os sete Agnelli da terceira geração.

Em 1965, desapareceu Giorgio, o "tio maluco", que em Harvard se viciou em alucinogéneos. Entrou em conflito com a família, odiava Gianni, foi-se tornando bizarro, algo esquizofrénico, e morreu sozinho na clínica suíça onde o encerraram.

O annus horribilis foi 1997. Uma jovem Nasi é encontrada morta com uma overdose de heroína num banco de jardim de Turim; um jovem Camerana mata-se na estrada num delírio de velocidade; e, em Dezembro, desaparece Giovannino.

A tragédia repete-se em 2000: o suicídio de Edoardo, filho primogénito do Avvocato, num salto quase 80 metros para o vazio, no seu carro, de cima de um viaduto.

Lúcido, sensível e inseguro, Eduardo foi destruído pelo desprezo a que o pai o votou, dizem os amigos. Detido no Quénia com drogas, vagabundeando por religiões orientais, admirador de Khomeini e de São Francisco, excluído da sucessão ainda nos anos 80, o que nunca perdoou, dava entrevistas ao jornal comunista Il Manifesto, em que falava do iminente fim do capitalismo.

Quando Gianni escolheu Jaki para o lugar que deveria ter sido o seu, declarou: "Uma parte da minha família foi apanhada numa lógica barroca e decadente. Sem querer ofender ninguém, estamos próximos do gesto de Calígula quando nomeou senador o seu cavalo."

Jaki não se ofendeu. Nem Lapo, que gostava do tio e também foi objecto de escândalo: "Nunca aprendeu a proteger-se. Afrontava a vida com uma pureza incompatível com o mundo de hoje. Consolo-me a imaginá-lo no paraíso, ao lado de Giovannino, a ver-nos agitarmo-nos cá em baixo."

A comandita

John Elkann acumula agora as três presidências: Fiat, sociedade por comandita Giovanni Agnelli & C. e Exor. O seu primeiro acto a seguir ao anúncio da cisão da Fiat foi reunir, e unir, os principais ramos da família na comandita.

Redistribuiu responsabilidades entre os principais clãs da dinastia. Propôs o acesso ao "santo dos santos" de vários herdeiros da quinta geração: Andrea, do clã de Umberto, Luca Ferrero Ventimiglia e Alessandro Nasi, do clã Nasi, Tiberio Brandolini d"Adda, filho de Cristiana. O primo Andrea recebeu ainda outra responsabilidade: a prestigiante presidência da Juventus, por onde sempre passam os grandes da "Família".

Também Maria Sole, que tão importante foi na imposição de Jaki, entra para a comandita. Numa entrevista, resumiu o programa que terá estado por trás do "golpe" de 2004: "É muito importante que a nova geração se interesse muito pela galáxia Fiat e toda a indústria italiana que depende do nosso grupo. A nova geração deverá manter a concentração no core business."

Há analistas que vêem Jaki partir para a América, de onde governaria o império. É improvável. Ele diz: "Em dez anos, a Itália tornou-se num país pequeno e tem de se adaptar à ascensão dos países emergentes." Mas sabe também que Turim é a sede da "casa real". Não lhe perdoariam se deixasse de ser Agnelli.