Crítica

Sujidade e Sabedoria

É, se quisermos, Madonna a explicara sua "história" (sem pedir desculpasa ninguém, ao menos isso) comaquela prosápia audiovisual quedeflagra como fogo-de-artifício -espectacular, mas tão breve quequando acaba procuramos o querestou e não há vestígios. Nestaconfissão de que o caminho dasabedoria passa pela sujidade, emque Madonna utiliza o punk-rockerucraniano Eugene Hutz como seualter-ego, ouve-se "Erotica",lembramo-nos das fotografias dolivro "Sex", com o cortejo desadomasoquismo, fetichismo eexibicionismo, e podemos concluir:ah, trata-se de uma mundivisão, omundo é um bordel! Nada contra,Madonna até costuma(va) serdivertida nas suas patifariasinsolentes. "Sujidade e Sabedoria" é,de facto, feito à sua imagem: semvestígios de relação intrínseca,sensual, com planos, montagem epersonagens, coisas propriamentecinematográficas de que não há aquiconsciência alguma, porque a"história" de Madonna - a suasabedoria - é outra, é a dos videoclipse espectáculos. De que "Sujidade eSabedoria" é um "ersatz".

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