Crítica

As Praias

Tecnicamente, "As Praias de Agnès"é um documentário - mas a palavraé redutora para esta "visita guiada"pela própria Agnès Varda à sua vidae obra, dos seus primeiros anosnuma casa de Bruxelas à suareinvenção como artista plástica,passando pela infância no porto deSète e pelo seu amor eterno porJacques Demy, o autor dos "Chapéusde Chuva de Cherburgo" (1963).


Usando um dispositivo semelhanteao de "Respigadores e aRespigadora" (2000) - um deliciosovale-tudo onde o documentáriotradicional coabita com a recriação,a fantasia, o home video e aautobiografia - Varda volta a fazercinema a partir da sua vida, masdesta vez deixa os bastidores docenário todos à mostra e faz da suavida no cinema o cinema da suavida. Escusado será dizer que este éum grande filme cinéfilo e paracinéfilos, e que o conhecimento dahistória do cinema francês pós-Nouvelle Vague ajuda muito à suafruição - mas quem não o tivernão tem como escapar àpresença e à leveza de espíritoda sábia octogenária.