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Sócrates diz que é “um abuso” transformar as europeias em legislativas

O primeiro-ministro, José Sócrates, considerou “um abuso” que os partidos queiram “transformar as eleições europeias em legislativas” ao considerarem que o Governo perdeu legitimidade após a derrota eleitoral de domingo.

José Sócrates, que esteve presente nas cerimónias do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, em Santarém, rejeitou que o Presidente da República, Cavaco Silva, tenha defendido hoje, no seu discurso nas comemorações, que o Governo perdeu legimitidade na sequência dos resultados eleitorais de domingo.

“O Presidente da República não é o porta-voz da oposição, bem pelo contrário. E ainda por cima no dia 10 de Junho”, afirmou Sócrates.

O primeiro-ministro reiterou que “a legitimidade de um Governo é adquirida no momento das eleições e a legislatura terminará na altura das eleições legislativas”.

“Eu acho isso muito contrário àquilo que são as normas constitucionais e democráticas. Nunca nenhuma oposição reclamou depois de eleições autárquicas ou europeias que o Governo perde legitimidade. Eu não aceito isso”, porque o país “precisa de um Governo actuante”, disse aos jornalistas, no final da sessão solene.

“Aqueles que querem transformar as europeias em legislativas enganam-se. Nestas eleições não perguntaram aos portugueses acerca do Governo e do futuro, essa pergunta será feita nas próximas eleições legislativas. É um pouco cedo, é um abuso que os partidos queiram transformar as eleições europeias em legislativas. Essa pergunta virá e nessa altura ver-se-á o que é que os portugueses querem”, sustentou.

Sócrates considerou ainda que, para enfrentar a crise, o Governo “tem de ter todos os poderes para responder aos problemas do país”.

“Era o que faltava que o Governo agora ficasse diminuído. Não. Esta legislatura termina na altura das legislativas e até lá o Governo mantém toda a capacidade, toda a legitimidade para tomar as decisões no sentido de cumprir o seu programa”, realçou.

Sobre o discurso em que Cavaco Silva condenou a abstenção e apelou a uma visão “estratégica de médio e longo prazo” e “alheia a calendários imediatos” para antecipar o pós-crise, Sócrates considerou que o seu teor “não era um recado para o Governo”.

“O senhor Presidente da República refere-se às tarefas que o país tem pela frente. Todos os órgãos de soberania, todos os que dirigem organizações empresariais têm o dever de dar o exemplo e lutar pelos desafios com que o país está confrontado”, defendeu Sócrates.

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