Ficha do jogo
Estádio do Dragão, no Porto
Assistência 34.602 espectadores
FC Porto Helton 6; Tómas Costa 5, Rolando 6, Bruno Alves 6, Cissokho 6; Mariano González 5, Fernando 6, Raul Meireles 7 (Guarín -, 90’), Rodríguez 5 (Tarik -, 85’); Lisandro 7 (Rabiola -, 88’), Farías 5
V. Setúbal Kieszek 6; Janício 6, Auri 6, Robson 6, Zoro 4; Hugo 6, Anderson 5, Ricardo Chaves 5 (Regula 5, 70’); Bruno Gama 6 (Michel 5, 58’), Leandro Lima 6 (Bruno Ribeiro 5, 58’); Carrijo 4
Árbitro Paulo Baptista 7, de Portalegre
Amarelos Zoro (63’), Janício (65’), Fernando (71’) e Tarik (90’)
Golos 1-0, por Lisandro, aos 62’; 2-0, por Lisandro, aos 68’





POSITIVO
Lisandro
Marcou dois golos e deu expressão a um jogo inexpressivo. Leva oito na sua conta pessoal e ajudou o FC Porto a recuperar uma vantagem preciosa na luta pelo título.

Raul Meireles
Foi o jogador que mais se destacou (pela positiva) enquanto o jogo ainda não se tinha transformado com duas substituições e dois golos.

NEGATIVO

Substituição
O V. Setúbal é uma equipa frágil no relvado e debilitada pelas contas. Carlos Cardoso mostrou também uma estranha falta de pontaria ao substituir os seus mais activos elementos, Leandro Lima e Bruno Gama, jogadores emprestadados pelo FC Porto.

Primeira parte do FC Porto
Os portistas foram incapazes de incomodar Kieszek durante longos minutos. Os jogadores treinados por Jesualdo Ferreira entraram em campo sem nervo. Um perigo para o que ainda falta jogar na Liga.

Liga

FC Porto 2-0 V. Setúbal: O estranho caso do minuto 58

Lisandro e Raúl Meireles festejam um golo na partida com o V. Setúbal
Foto
Lisandro e Raúl Meireles festejam um golo na partida com o V. Setúbal Fernando Veludo/nFACTOS

Minuto 58 do FC Porto-Vitória de Setúbal. De uma assentada, Leandro Lima e Bruno Gama foram substituídos por dois colegas de equipa. Coincidência ou não, Leandro Lima e Bruno Gama, jogadores emprestados pelo FC Porto ao Setúbal, estavam a ser os dois jogadores mais perigosos dos sadinos. Coincidência ou não, o jogo que estava empatado ganhou outra vida quatro minutos depois com o primeiro de dois golos de Lisandro (2-0). O tiro no pé de Carlos Cardoso deu uma segunda vida ao campeão nacional.

Alguém quer explicar a substituição? Pontaria de Carlos Cardoso, que na véspera até vaticinara uma “gracinha”? Sorte de Jesualdo Ferreira, que via o placard a andar para trás? “Com a saída dos dois jogadores, o FC Porto passou a ter mais espaço e mais linhas”, respondeu Jesualdo. “Já não atacavam com a mesma intensidade”, justificou Carlos Cardoso.

Antes de o jogo começar, os portistas aplaudiram a entrega a Bruno Alves do troféu A Bola/BES, que premeia o melhor dos três grandes no campeonato nacional. No final, aplaudiram Lisandro, autor de dois golos à ponta-de-lança que deixam o FC Porto com o avanço do costume. Pelo meio, aos 58’, fez-se silêncio no Estádio do Dragão, estupefacto com a sorte que lhes calhara na rifa.

Houve claramente um antes e um depois “minuto 58”. Antes, o ataque do FC Porto resumia-se a dois ensaios de Raul Meireles já na segunda parte (aos 47’ e aos 51’) e a um cabeceamento de Rolando (52’). Antes, o FC Porto tinha tido dois bons períodos de pressão, mas inconsequente. Antes, falava-se da falta que fazia uma cabeça (de Lucho) no meio-campo e músculo (de Hulk) na frente de ataque. Antes, o Setúbal era uma equipa modesta e humilde, mas concentrada e com Auri a varrer tudo lá atrás. Antes, Leandro Lima e Bruno Gama tinham tido a ousadia de invadir a área portista (e aos 40’, o português, com o consentimento de Tomás Costa, até podia ter marcado). Jesualdo Ferreira “esperava mais” da “largura” que dera ao seu ataque. Mas a prática não confirmou a teoria.

Depois, a equipa da casa, dona da bola durante quase 90 minutos, fez mais um assalto à baliza de Kieszek e marcou. Depois, o estádio despertou de um estado de letargia e apoiou os seus heróis, Lisandro à cabeça. Depois, o goleador argentino voltou a aparecer na cara do guarda-redes polaco para bisar e definitivamente colocar os três pontos no bolso do FC Porto, que volta a olhar para trás e a não ver o Sporting por perto.

Desde a 18.ª jornada que a Liga parece “Um Assassino pelas Costas”, primeira longa-metragem de Steven Spielberg, que acompanha uma extenuante perseguição de um camião a um ligeiro. Ganha o FC Porto, ganha o Sporting. Três pontos para o Sporting, três para o FC Porto. Esta série de vitórias partilhadas já vai em oito jornadas e só foi interrompida na 20.ª ronda, em que os dois clubes tiveram o seu duelo (0-0).

Com o 2-0 no placard, o FC Porto não tirou o pé do acelerador. Nem coisa que se pareça. Decorria o minuto 81 e Rodríguez acertou no poste. Nas bancadas, os espectadores exultavam. Gritava-se o nome de Lucho, de Raul Meireles, de Lisandro outra vez.

“Acho que ganhámos o jogo com inteligência e paciência”, disse no final Jesualdo Ferreira, anunciando o fim de um ciclo “difícil” de “muitos jogos seguidos” e deixando claro que as semanas que faltam não serão pêra doce. “Calendário nada fácil”, resumiu.