Golfo de Áden

Marinha americana resgata à força o capitão do Maersk sequestrado ao largo da Somália

O capitão Richard Phillips momentos depois de ser libertado com o comandante do USS Brainbridge
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O capitão Richard Phillips momentos depois de ser libertado com o comandante do USS Brainbridge

Libertado. O capitão norte-americano Richard Phillips, 53 anos, da marinha mercante, sequestrado há cinco dias por piratas ao largo da Somália foi libertado domingo à tarde.

A notícia foi dada, em Washington, pelo Departamento de Estado, e inundou de imediato as agências que acompanhavam a situação com pessimismo: os sequestradores, quatro, armados de espingardas de assalto e um lança-roquetes, tentavam levá-lo para terra firme, onde o seu resgate seria muito mais difícil, e a mediação dos chefes tribais patinava sem resultados à vista.

As circunstâncias da libertação eram ao princípio da noite ainda pouco claras. Phillips foi libertado numa operação da Marinha americana, e isso foi tudo o que oficialmente se disse. Seriam 18h30 em Portugal.

Refém e herói do Vermont

Um dos captores estaria a bordo do cruzador USS Bainbridge para negociar, de acordo com a cadeia de televisão americana CNN. Da acção resultou a morte dos que ficaram na embarcação e a prisão, ao que parece, do negociador.

O sequestrado saiu ileso e foi de imediato transportado para bordo de um dos três barcos que acompanhavam o caso na zona. Desconhecia-se o seu estado de saúde. Mas segundo o Departamento de Estado estava “bem”.

A odisseia de Richard Phillips, natural do Vermont, Estados Unidos, começou quando o porta-contentores que comandava, o Maersk Alabama, de 17 mil toneladas, vogava quarta-feira a 500 quilómetros da costa somali, no Índico. Piratas assaltaram o barco e sequestraram a tripulação de 20 elementos. Ele ofereceu-se então para substituir os seus homens, ficando em poder dos assaltantes.

O que se passou depois a bordo não se sabe ainda bem. Isto é, desconhece-se como a equipagem passou a controlar o cargueiro e rumou à costa queniana.

Sobre Phillips conhece-se alguma coisa. Por exemplo, uma ocasião em que os sequestradores estavam distraídos, de quinta para sexta-feira, mandou-se ao mar para escapar, mas foi apanhado. Por isso e segundo o administrador somali da região de Galkayo, Aweys Ali Said, terá sido “amarrado” para evitar outra fuga.

Sábado, o Maersk chegou ao porto queniano de Mombaça, que era o seu destino inicial, mas Phillips continuou retido, com a sua embarcação cercada pelo Bainbridge, uma fragata e um navio de assalto, a tentarem impedir que fosse levado para terra, enquanto chefes tribais tentavam obter a sua libertação “por via pacífica e sem resgate”.

A operação foi a segunda do seu género numa semana, depois da francesa que recuperou o iate Tanit, com cinco tripulantes, também sequestrado, nas águas somalis. Mas neste caso um dos cativos morreu – os outros chegaram ontem mesmo a Paris.

O resgate de Richard Phillips – o primeiro americano refém de piratas ao largo da Somália e agora o “herói” do Vermont – podia ter acontecido antes. Sábado, os chefes piratas tinham dito aos mediadores tribais que o libertariam em troca da liberdade dos piratas presos, mas os americanos responderam que não, que os entregariam às autoridades da região autoproclamada autónoma de Puntland, e o processo acabou aí. A mediação voltou ontem de manhã a tentar outra saída. Deveria estar nesse esforço quando a Marinha americana atacou.

Em Washington, senadores citados pela AFP defenderam que de futuro os Estados Unidos deverão ter uma posição “mais agressiva” e não ceder a “chantagens”.