“Wolverine” pirateado causa saída de crítico da Fox News

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Um "download" de um filme de super-heróis e uma crítica fizeram com que a norte-americana Fox News e o seu colunista de entretenimento, Roger Friedman, decidissem terminar a sua relação profissional de dez anos. Em causa está uma versão pirateada do ainda não estreado "X-Men Origins: Wolverine" e uma crítica precoce que brincava mesmo com os confortos dos "downloads". Sobre um filme produzido por uma empresa irmã da Fox News, o estúdio 20th Century Fox.                               

"X-Men Origins: Wolverine" chegou à Internet a 31 de Março, um mês antes da sua estreia em sala. Nessa altura, a 20th Century Fox (estúdio produtor do filme) sublinhou que a versão que emergiu online não é a final, descrevendo-a como "roubada, incompleta e inicial". E os fãs da personagem, a imprensa e os próprios sites especializados em revelar imagens e críticas de entretenimento em primeira mão selaram um pacto não-oficial: não violar o embargo e esperar pelos visionamentos para imprensa e pela estreia nos cinemas para ver Hugh Jackman na pele de Wolverine.

Eis senão quando, na quinta-feira passada, Roger Friedman, colunista de entretenimento e mexericos da Fox News, escreveu uma crítica de "X-Men Origins: Wolverine". Assumindo o "download" - "tão mais fácil do que sair e apanhar chuva" -, elogiando o produto semi-acabado - "ultrapassa as expectativas a cada momento" -, Friedman publicou a crítica na sua coluna, Fox 411. Na sexta, a Fox News - que é detida pelo grupo da 20th Century Fox, a News Corp. de Rupert Murdoch - retirou a crítica do seu site e ontem disse em comunicado que as partes "concordaram mutuamente em separar-se imediatamente". Uma espécie de rescisão por mútuo acordo, embora Friedman não tenha ainda confirmado o que aconteceu na sequência da sua assunção de um acto ilegal e da violação do tal embargo não oficial.

No texto de Friedman lia-se, além dos excertos acima citados, um elogio em tom brincalhão à facilidade e conforto que representa o "download". Na sexta-feira, a Fox repreendia o seu colunista: "Este comportamento é repreensível e condenamos categoricamente este acto, seja a crítica boa ou má". Já a News Corp. frisava que a opinião de Friedman sobre a pirataria informática não reflecte a da empresa e revelava que, mal souberam do "post" de Friedman, foi pedido à Fox News que o retirasse do seu site.

Antes da publicação, a 20th Century Fox já tinha anunciado uma queixa junto do FBI e que este, tal como a Motion Picture Association of America, estava a "investigar activamente" o caso. A versão que foi disponibilizada na Internet - nos primeiros dias foram descarregadas cem mil cópias - tinha uma marca de água que poderá facilitar a identificação do cibernauta que fez o "upload".

Nos dias seguintes à fuga do filme incompleto (viam-se os cabos a suspender os actores, faltava música em várias cenas e os ecrãs verdes usados para base dos efeitos especiais digitais eram também visíveis), surgiram várias críticas de cibernautas na web. No entanto, a Fox elogiou a reacção da maioria dos fãs, que não quiseram ver o filme antes de estar pronto. "Sentimo-nos encorajados pelo apoio dos sites de fãs que condenam a pirataria e esta divulgação ilegal e que denunciam que tal roubo mina os enormes esforços dos cineastas e dos actores e, acima de tudo, prejudicam os fãs do filme", comentou a 20th Century Fox em comunicado.

"X-Men Origins: Wolverine" é realizado por Gavin Hood (argumentista de "Tsotsi" e realizador de "Rendition/Detenção Secreta") e é o quarto filme da saga da Marvel a chegar aos ecrãs. É uma prequela, sobre a transformação de Logan no mutante Wolverine, cujo esqueleto metálico lhe dá uma força sobre-humana e que tem uma capacidade de regeneração acelerada. Em Portugal, estreia-se a 30 de Abril.