Frida Kahlo já pintou mais depois de morta do que enquanto ainda estava viva

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Circulam no mercado mais de 400 pinturas falsas da artista mexicana, alertam os especialistas.

Já há mais Frida Kahlos falsos do que Frida Kahlos verdadeiros, denunciaram anteontem vários especialistas na sequência da suposta aparição, há seis dias, de cinco novos quadros da artista mexicana. São pelo menos 400 - os suficientes para abrir um "museu de falsos". "O submundo das obras não reconhecidas de Frida tem um longo historial e podemos dizer que ela está a produzir mais morta do que viva", resumiu Carlos Phillips Olmedo, director dos museus Frida Kahlo, Diego Rivera-Anahuacalli e Dolores Olmedo da Cidade do México.

Chegou a pensar-se que entre as obras agora descobertas no estado mexicano de Michoacán, nas mãos de um coleccionador privado, estava La Mesa Herida, uma pintura de Frida Kahlo cujo paradeiro é desconhecido. Não estava: as cinco pinturas são falsas "sem sombra de dúvidas", assegurou Teresa del Conde, investigadora do Instituto de Investigações Estéticas da Universidade Nacional Autónoma do México, na conferência de imprensa da Casa Azul. A perita explicou ainda que a maioria das falsificações que lhe vão parar às mãos são "grotescas" - e é por isso que é tão importante "alertar os amantes de Frida para pedirem o aval de uma instituição reconhecida sempre que lhes for proposto este tipo de obras", acrescentou Magdalena Zavala, directora-geral de artes plásticas do Instituto Nacional de Belas-Artes.

Ao Museu Dolores Olmedo - que gere as colecções do Museu Frida Kahlo e do Museu Diego Rivera-Anahuacalli - chegam por mês pelo menos um Frida Kahlo ou um Diego Rivera falsos. "É interessante ver o fenómeno que Frida provoca no mundo dos falsos", sugeriu Magdalena Zavala, lembrando que, mesmo quando notificados de que as suas obras são falsificações, os coleccionadores insistem em expô-las. Ao todo, estão registadas 248 obras autênticas de Frida Kahlo, entre óleos, aguarelas, desenhos e páginas de diário - mais o acervo da Casa Azul, onde Frida (1907-1954) viveu com o pintor e muralista Diego Rivera (1886-1957) uma relação turbulenta. Além de alguns quadros mais famosos da artista, o espólio da Casa Azul inclui a cama onde Frida passou parte da vida rodeada pelos retratos de Lenine, Estaline e Mao Tsé-Tung, o cavalete oferecido por Nelson Rockefeller, os espelhos em que se observava obsessivamente e as suas colecções de borboletas, de vestidos e de arte pré-colombiana.