Filme com Opus Dei em fundo vence nos Goya

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Um filme sobre a dicotomia entre fé e razão, sobre espiritualidade, sobre a Opus Dei ou simplesmente uma história de amor apaixonante. As opiniões dividem-se quando se trata de caracterizar Camino, o filme vencedor da cerimónia de entrega dos Goya, os mais importantes galardões do cinema espanhol.

A cerimónia, que decorreu domingo à noite, em Madrid, coroou o filme (que estava nomeado em sete categorias) com seis estatuetas - melhor filme, melhor realizador (Javier Fesser), melhor actriz (Cármen Elias), melhor actriz revelação (Nerea Camacho), melhor actor secundário (Jordi Dauder) e melhor guião. O filme é inspirado na história da canonização de Alexia González-Barro, filha de uma família pertencente à organização religiosa Opus Dei, que viria a morrer aos 14 anos. Na obra, fica a ideia de que a Opus Dei manipula a sua doença, transformando-a num sacrifício perante Deus. A estatueta de melhor filme foi recebida por membros da produção, com destaque para Luís Manso, que qualificou de "ambiciosa e apaixonante" a história de Camino. Quando Javier Fesser subiu ao cenário, pela primeira vez, para receber o Goya para melhor guião, afirmou que a sua história "tratava de procurar a verdade" e que, nesse processo, foi confrontado com "testemunhos de gente maravilhosa", com destaque para Alexia, "uma rapariga extraordinária, pela qual nasceu este projecto" e a quem o realizador espera não ter decepcionado.

Antes já Jordi Dauder havia dedicado o seu prémio de melhor actor secundário a Fesser, "pela sua valentia", e por falar na obra de "vida, amor e luz", enfrentando os "fundamentalismos do país".
A Academia também reconheceu o trabalho de Penélope Cruz em Vicky Cristina Barcelona, de Woody Allen, distinguindo-a como melhor actriz secundária. "Sempre admirei Woody Allen e ver os meus companheiros premiarem-me por um filme dirigido por ele deixa-me muito feliz", confessou. Quando lhe perguntaram o que faria se tivesse que escolher entre um Goya ou um Óscar - para que se encontra também nomeada - foi diplomática: "Mas porque é que tenho de escolher? Quero-os aos dois!"

Outro nome bem conhecido, Benicio del Toro, arrecadou o prémio de melhor actor pelo papel de Che Guevara em Che, El Argentino, do realizador Steven Soderbergh. "Não sei o que estaria a fazer hoje Che Guevara, mas estou certo de que não estaria atrás de uma secretária", disse, evocando o célebre revolucionário.

El Truco Del Manco, do estreante Santiago A. Zannou, converteu-se na outra surpresa da noite, ficando com três estatuetas. Entre elas, a de melhor actor revelação para o rapper espanhol El Langui (do grupo La Excepcion). A gala, que foi apresentada pela actriz Cármen Machi, distinguiu também com um Goya de honra o veterano realizador Jesus Franco.

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