Declarações de Mário Nogueira à entrada de reunião na AR

Professores rejeitam proposta de criação de comissão de sábios para a avaliação

Mário Nogueira defende que as negociações têm de ser com o ministério
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Mário Nogueira defende que as negociações têm de ser com o ministério Fernando Veludo/NFactos

A Plataforma Sindical dos Professores rejeitou hoje a hipótese de se criar uma "comissão de sábios" para negociar o processo de avaliação dos docentes, como propôs ontem o socialista António Vitorino.

Antes de entrar para a audição com a Comissão Parlamentar de Educação, o porta-voz da Plataforma Sindical dos Professores, Mário Nogueira, comentou a sugestão feita ontem no programa "Notas Soltas" na RTP pelo socialista António Vitorino no sentido de o Governo equacionar a criação de uma comissão de sábios para alcançar um acordo sobre o processo de avaliação de professores.

Para Mário Nogueira, a negociação tem de ser feita sempre entre os sindicatos e o Ministério da Educação, apesar de reconhecer a importância de se conhecer a opinião de especialistas.

"É fundamental ter em conta a opinião de pessoas do exterior, mas outra coisa é negociar", explicou o porta-voz da Plataforma Sindical dos Professores e secretário-geral da FENPROF.

"Em primeiro lugar tem de se perceber quem são os sábios", lembrou ainda Mário Nogueira.

Também presente na audição parlamentar que está a decorrer desde as 11h30 no Parlamento está o secretário-geral Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE), João Dias da Silva, que considerou desnecessária a criação da comissão de sábios.

Em declaraçõres à agência Lusa antes de entrar para a reunião, João Dias da Silva defendeu também que "o diálogo pode ser feito directamente entre os sindicados e o Ministério da Educação, sem ser necessário criar uma comissão".

Os secretários-gerais da FNE e Fenprof voltaram a reforçar a urgência da suspensão do actual modelo de avaliação para se poder iniciar um processo de negociação que permita chegar a uma nova fórmula.

"Terá que haver uma mudança de atitude no Governo que passa pelo acolhimento das propostas sindicais", disse João Dias da Silva, garantindo que as organizações sindicais estão "disponíveis" para iniciar hoje um novo modelo de avaliação de desempenho.

Mário Nogueira considerou ainda importante que António Vitorino tenha reconhecido que este modelo não funciona, tendo evidenciado dúvidas sobre se o modelo deve ser simplificado ou alterado.

"Não há negociação possível sem a suspensão do actual modelo de avaliação", disse, lembrando que já na quarta-feira a FENPROF vai reunir com responsáveis do Ministério da Educação, que voltou a marcar novos encontros com as estruturas sindicais.

Já na audição, Mário Nogueira acusou o Ministério da Educação de ter colocado de forma "ilegal" um "documento na página da Direcção Geral dos Recursos Humanos com os objectivos individuais de cada professor".

Para o secretário-geral da Fenprof, esta medida de simplificação do processo de avaliação é "ilegal" e trata-se de um "controlo político aos professores", que "não foi negociado com ninguém".

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