Durão Barroso recebeu Bush, Blair e Aznar nos Açores

Início da guerra no Iraque foi ditado há cinco anos na Cimeira das Lajes

Durão Barroso, Blair, Bush e Aznar protagonizaram a cimeira
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Durão Barroso, Blair, Bush e Aznar protagonizaram a cimeira Daniel Rocha (arquivo)

Faz hoje cinco anos que os olhos do Mundo estiveram centrados na Base das Lajes, nos Açores, quando o Presidente norte-americano e os então primeiros-ministros britânico, espanhol e português protagonizaram uma reunião que ditaria o início da guerra contra o regime iraquiano de Saddam Hussein e que ficaria conhecida como Cimeira das Lajes ou Cimeira da Guerra.

No meio do Atlântico, George W. Bush (EUA), Tony Blair (Reino Unido) e José Maria Aznar (Espanha), recebidos pelo primeiro-ministro português de então, Durão Barroso, reuniram-se, na tarde de 16 de Março de 2003, para uma cimeira que culminou, quatro dias depois, na madrugada de 20 do mesmo mês, com o início da intervenção militar no Iraque.

Desencadeada por uma coligação militar internacional, liderada pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido, e apoiada por Portugal e Espanha, entre outros países, a operação conduziu à ocupação militar do Iraque, que se mantém, e ao derrube do regime de Saddam Hussein, que viria a ser capturado, julgado e condenado à morte por enforcamento por um tribunal iraquiano.

Da reunião na ilha Terceira, nos Açores, havia saído um aparente derradeiro ultimato à ONU e a Saddam Hussein no sentido de se evitar uma intervenção militar no Iraque, alegadamente por via de uma solução diplomática para uma crise em que já então parecia inevitável o recurso à força das armas.

"Ou o Iraque se desarma ou é desarmado pela força", afirmou George W. Bush, na conferência de imprensa final da Cimeira das Lajes, que decorreu na base militar portuguesa, que acolhe um destacamento militar norte-americano, ao abrigo do Acordo de Cooperação e Defesa assinado entre os dois países.

Bush referia-se à então tida como hipótese credível de o Iraque dispor de armas de destruição maciça, nomeadamente químicas, uma suspeita que, embora tivesse sido a principal justificação oficial para a intervenção militar externa no país, viria a revelar-se infundada e nunca suficientemente sustentada, como reconheceram anos depois, um a um, todos os protagonistas da Cimeira das Lajes.

Já depois do encontro, que levou centenas de jornalistas de todo o mundo à ilha Terceira, Durão Barroso disse que a Cimeira das Lajes tentou ser uma alternativa à guerra, uma última tentativa de se encontrar uma solução política e diplomática para a crise.

A cimeira decorreu numa altura em que o conflito armado no Iraque já era dado como praticamente inevitável. "Há poucas razões para esperar que Saddam se desarme", reconhecia o Presidente norte-americano, na véspera do encontro das Lajes.

Esta foi uma das ocasiões que colocaram a base portuguesa no centro das atenções mundiais, à semelhança de Dezembro de 1971, quando acolheu um encontro entre os presidentes norte-americano, Richard Nixon, e francês, George Pompidou.

Este "porta-aviões" no meio do Atlântico começou a ser utilizado pelos EUA em 1946 e, além dos militares, dá emprego a cerca de 850 portugueses civis que trabalham para os norte-americanos.