Negociações devem prosseguir segunda-feira

Quénia: Governo e oposição assinam acordo para resolver crise política

Annan vai anunciar amanhã os detalhes do acordo
Foto
Annan vai anunciar amanhã os detalhes do acordo Fredrik Sandberg/Reuters

Representantes do Governo queniano e da oposição assinaram hoje um acordo que poderá abrir caminho ao fim da crise política que se arrasta no país desde as presidenciais de Dezembro, anunciou um porta-voz de Kofi Annan que tem mediado as conversações.

“Annan vai comunicar amanhã o texto do acordo assinado hoje entre as duas partes”, revelou Nasser Ega-Musa, no final das discussões entre enviados do Presidente, Mwai Kibaki, e do líder da oposição, Raila Odinga, numa estância de luxo num remoto parque nacional.

Segundo o porta-voz, o ex-secretário-geral da ONU vai regressar amanhã a Nairobi para “revelar o que foi acordado nas últimas 48 horas”, estando previsto que as negociações prossigam na próxima segunda-feira.

Nenhuma das partes se mostrou disponível para comentar estas informações, mas fontes próximas das negociações adiantaram que o regresso a Nairobi poderá indicar que os enviados precisam do aval dos seus líderes antes de assumir novos compromissos.

As negociações encabeçadas por Annan visam pôr fim à crise política desencadeada com a reeleição de Kibaki, contestada pela oposição, que denuncia a existência de fraude no escrutínio dos votos depois de os resultados preliminares apontarem para a vitória de Odinga.

Os protestos rapidamente resultaram em confrontos entre apoiantes do Governo e partidários da oposição e numa dura repressão policial, que terá provocado mais de mil mortos e cerca de três mil deslocados. A onda violência – a mais grave da história de um país reputado como sendo o mais estável de África – degenerou em confrontos étnicos em vários pontos do país, em especial na província do Vale do Rift, grande pólo de atracção turística do Quénia, partilhada pelas principais etnias do país.

Segundo fontes próximas das negociações, as duas partes aceitaram já o princípio de uma partilha de poder entre Governo e oposição e as negociações dos últimos dias têm-se centrado na discussão dos detalhes deste entendimento. É também esperado que as duas partes aceitem a criação de uma comissão de reconciliação, semelhante à criada pela África do Sul para analisar os crimes cometidos pelo regime do “apartheid”.