O que é o PKK?

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O Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) é uma organização armada que luta desde 1984 pela criação de um Estado autónomo no sudeste da Turquia, zona maioritariamente curda.

Criado em 1974 por Abdullah Ocalan, só quatro anos mais tarde adopta a actual designação, assumindo-se como uma organização armada de ideologia marxista. Logo nos primeiros anos, ganha reputação de implacável, eliminando membros de grupos rivais e dirigentes locais pró-turcos.

No início da década de 1980, lança os seus primeiros ataques contra o Exército turco que, em retaliação desencadeia uma vasta operação contra as zonas curdas, levando milhares de civis a abandonarem as suas aldeias. Estima-se que 37 mil pessoas, entre civis, militares e rebeldes, tenham morrido nos 15 anos da rebelião.

Depois de anos limitado a acções nas montanhas do Sudeste, o PKK leva a cabo no início dos anos 90 as suas operações de guerrilha urbana. Os hotéis e as zonas mais frequentadas por estrangeiros são um alvo preferencial, numa tentativa para prejudicar a indústria turística do país.

Beneficiando do apoio da diáspora, em 1993 e na Primavera de 1995 lança ataques contra representações diplomáticas e interesses comerciais da Turquia em várias cidades europeias. Estas acções levam os EUA e a União Europeia a incluir o PKK na lista de organizações terroristas, onde ainda figura.

No início de 1999, os serviços secretos turcos capturam Abdullah Ocalan no Quénia, onde se encontrava refugiado, e o Tribunal de Segurança do Estado condena-o à morte, pena que seria comutada três anos depois em prisão perpétua quando Ancara decidiu abolir a pena capital.

A captura do líder enfraquece a organização e cerca de três mil dos guerrilheiros do PKK (que contará com uma força de cinco mil homens) procuram refúgio no vizinho Curdistão iraquiano, região que fugia ao controlo do regime de Saddam Hussein, beneficiando de protecção internacional.

Cinco anos de trégua

Após a sua captura, Ocalan pronuncia-se favor do fim da luta armada, insistindo que os separatistas curdos deveriam concentrar-se no combate político a favor dos direitos da minoria curda, até 1991 proibida de falar a sua própria língua. A mensagem do líder é acolhida pela organização que, nos congressos de 2000 e 2002, se compromete a defender os direitos da minoria curda por meios não violentos, anunciando uma trégua unilateral, embora recuse sempre desarmar-se e renunciar ao direito de “auto-defesa”.


No entanto, em 2004, a ala mais radical assume o controlo da organização e decreta o fim do cessar-fogo, alertando turistas e empresários estrangeiros para não visitarem o país. Durante o ano seguinte, dezenas de bombas explodem no região Oeste do país, com particular incidência em Istambul e noutras cidades costeiras, provocando centenas de mortos, entre eles vários estrangeiros. As autoridades atribuem as acções aos separatistas curdos.

Em 2006, multiplicam-se os confrontos com o Exército no Sudeste do país, mas só neste Outono os guerrilheiros refugiados no vizinho Iraque se atrevem a lançar operações de grande envergadura. Estima-se que 40 soldados turcos tenham morrido em ataques registados no mês passado e este domingo – já depois do Parlamento turco ter autorizado uma incursão no Iraque – 12 militares morreram e oito foram capturados numa emboscada dos rebeldes.

Fontes

: Reuters, Federation of American Scientists, Departamento de Estado dos EUA