Símbolo da canção de intervenção, a par com Zeca Afonso

Adriano Correia de Oliveira recordado hoje, nos 25 anos da sua morte

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Adriano Correia de Oliveira é hoje recordado em Lisboa, 25 anos depois da sua morte, com um espectáculo onde vários artistas seus contemporâneos recordam as trovas que eternizaram o cantor de intervenção.

Na Sociedade Voz do Operário, em Lisboa, José Fanha, Carlos Paulo e Maria do Céu Guerra vão ler poemas que Adriano Correia de Oliveira cantou e vai ser inaugurada uma exposição sobre o músico e decorrerá um colóquio para debater a vida e obra de Adriano com a participação de Luís Cília, José Barata-Moura, Lopes de Almeida, Paulo Sucena e José Viale Moutinho.

No dia 20, no mesmo local, decorrerá o espectáculo "25 anos - 25 canções", que contará com a presença, entre outros, de Amélia Muge, Fausto, Fernando Tordo, Brigada Victor Jara, o padre Francisco Fanhais, Manuel Freire, Janita Salomé, Luís Represas, Pedro Abrunhosa, Paulo Carvalho e um grupo de guitarra e cantares de Coimbra.

Serão 25 das mais emblemáticas canções, de um total de cerca de 90, que Adriano Correia de Oliveira cantou e gravou entre 1960 e 1980, entre as quais "Trova do vento que passa", "Balada da esperança", "Menina dos olhos tristes", "Tejo que levas as águas" ou "Canção do linho".

Em Setembro saiu o disco tributo "Adriano aqui e agora", com 14 canções renovadas à luz de músicos provenientes do rock, da pop, da electrónica ou do hip hop, como Ana Deus e os Dead Combo, que interpretam "Trova do vento que passa", os Cindy Cat com "E alegre se fez triste" e Margarida Pinto, dos Coldfinger, que canta "Charamba".

Vicente Palma, filho de Jorge Palma, estreia-se com "Para Rosalía" e Sharyar Mazgani, dos Mazgani, mostra a sua visão de "Balada da esperança".

São 14 novas aproximações à obra daquele que é considerado, a par de José Afonso, uma das vozes maiores do canto de intervenção e da balada.

Numa toada mais próxima da música de raiz tradicional, este ano saiu ainda o disco "Cantaremos Adriano", protagonizado por um grupo de sete músicos portugueses de diferentes projectos musicais.

No álbum, os sete músicos cantam 12 temas imortalizados por Adriano e os inéditos "Eu Vi Abril" ( Manuel Alegre/Vitor Sarmento) e "As Palavras do meu Canto" (Joaquim Pessoa/Vitor Sarmento).

Para desfrutar de todos os temas interpretados pelo próprio Adriano Correia de Oliveira, o jornal Público lança a partir de hoje uma série de sete discos com a obra completa do cantautor, coordenada por José Niza. Esta série revelará os diferentes momentos musicais de Adriano Correia de Oliveira, dos fados de Coimbra à balada e à canção de intervenção.

Cada um dos discos sairá acompanhado por um livro que reúne dados biográficos, depoimentos e entrevistas de pessoas que trabalharam e conheceram Adriano Correia de Oliveira.

Intervir pela música

O cantautor nasceu no Porto a 9 de Abril de 1942 e morreu a 16 de Outubro de 1982 em Avintes.


Foi em Coimbra, para onde rumou para estudar Direito, que se abriram as portas para a intervenção política, social e cultural.

Passou pelo Orfeão Académico de Coimbra e editou o primeiro disco, "Noite de Coimbra", em 1960.

Já militante do PCP, participou activamente nas lutas académicas de contestação ao regime político, facto que, a par da guerra colonial, da censura e da emigração, passou a ser referido nas músicas que cantava.

Antes e depois da revolução de Abril de 1974, Adriano Correia de Oliveira viveu tempos de intensa actividade interventiva no meio musical e cultural, gravando "Trova do vento que passa" ou "O canto e as armas", com versos de Manuel Alegre.

Dele se diz que era generoso, corajoso e solidário. Morreu com 40 anos vítima de um acidente vascular esofágico.

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