Crítica

Natureza Morta

Jia Zhang-Ke nunca fala de outra coisa que não seja o tempo que passa, as coisas que mudam - mas talvez nunca o tenha feito de maneira tão directa como nesta "Natureza Morta" que ganhou o Leão de Ouro em Veneza: o pano de fundo é a monumental Barragem das Três Gargantas, cuja construção obrigou à evacuação, demolição e realojamento de uma cidade inteira, Fengjie, à qual chegam um homem e uma mulher à procura de refazerem a sua vida.

Ele, mineiro rural e resignadamente insistente, busca a mulher que o abandonou há 15 anos e levou a filha; ela, enfermeira cosmopolita, procura o marido do qual não sabe há dois anos; ambos são símbolos de uma China em fluxo que se confronta com a sua própria mudança rápida de modo ora truculento oracontemplativo.

O todo filmado em digital com aquela elegânciadesacelerada e segura a que Jia nos habituou. "Natureza Morta" é dos melhores filmesque se podem ver agora por aí.

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