Seis pessoas morreram em sete explosões quase simultâneas

Argélia: braço da Al-Qaeda no Magreb reivindica atentados na Cabília

Pelo menos quatro das explosões visaram esquadras da polícia
Foto
Pelo menos quatro das explosões visaram esquadras da polícia Larbi Louaf/Reuters

O braço da Al-Qaeda na região do Magreb reivindicou a autoria da série de atentados que esta manhã abalou a Cabília, no Leste da Argélia, provocando seis mortos e 30 feridos.

“Valentes ‘mujahidin’ conseguiram esta manhã fazer explodir em simultâneo seis viaturas armadilhadas que tiveram por alvo várias esquadras da polícia”, lê-se num comunicado assinado pela “Organização da Al-Qaeda nos Países do Magreb Islâmico”.

Esta foi a designação assumida no mês passado pelo Grupo Salafita para a Prédica e Combate (GSPC), uma organização herdeira dos movimentos islamistas argelinos que em 2003 se aliou à rede terrorista liderada por Osama bin Laden.

O comunicado, cuja autenticidade não pode ser confirmada, foi divulgado por uma página na Internet habitualmente usada pela Al-Qaeda para difundir propaganda.

A televisão árabe Al-Jazira adiantou também ter recebido um telefonema do grupo radical argelino, reivindicando os atentados.

Segundo as autoridades argelinas, sete carros armadilhados explodiram quase em simultâneo nos distritos de Boumerdes e Tizi Ouzou, na região de maioria berbere da Cabília. Pelo menos quatro das explosões visaram esquadras, mas apenas duas das vítimas mortais são polícias.

Fundado em 1998, com o objectivo de criar um Estado islâmico no país, o GSPC nasceu de uma facção dissidente do Grupo Islâmico Argelino (GIA) que liderou a onda de violência que abalou o país durante a década de 1990.

Ao contrário do GIA, o GSPC recusou a amnistia oferecida pelo Presidente Abdelaziz Bouteflika, assumindo-se como a facção islamista mais activa na Argélia. Só no ano passado, o grupo reivindicou perto de uma dezena de atentados no país, mas a operação mais espectacular da organização remonta a 2003, quando sequestrou 32 turistas ocidentais que visitavam o Sahara Ocidental. Todos os reféns acabaram por ser libertados, à excepção de um que não resistiu a um ataque cardíaco.