Benon Sevan

ONU: ex-director do programa "Petróleo por Alimentos" acusado de corrupção

Sevan acusou Kofi Annan de o ter sacrificado
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Sevan acusou Kofi Annan de o ter sacrificado Osamu Honda/AP

Benon Sevan, ex-director do programa gerido pela ONU “Petróleo por Alimentos”, no Iraque, terá daí retirado benefícios financeiros, concluiu hoje a comissão independente que investiga este caso de corrupção. Sevan negou as acusações.

No seu terceiro relatório, a comissão – dirigida pelo ex-presidente da Reserva Federal Norte-Americana, Paul Volcker – indica que Sevan beneficiou, num montante de 147.184 dólares (119.187 euros), de créditos de petróleo acordados, a seu pedido, à companhia African Middle East Petroleum (Amep), dirigida pelo egípcio Fakhry Abdelnour, um primo do antigo secretário-geral das Nações Unidas, Boutros Boutros-Ghali.

Nestas transacções, um amigo de Sevan, Efraim Nadler, teve um papel de intermediário.

O relatório identificou o encaminhamento, entre 1998 e 2001, de somas originárias das vendas de 7,3 milhões de barris de petróleo iraquiano pela Amep para uma conta bancária em Genebra, controlada por Nadler. Daqui, o dinheiro seguiu para uma conta de Sevan em Nova Iorque.

Esta é a primeira vez que Sevan, um cipriota de 67 anos, foi directamente acusado de corrupção. Um primeiro relatório da comissão de investigação, em Fevereiro de 2005, acusou Sevan de ter violado regras da ONU ao intervir em favor da Amep no processo de atribuição de contratos. Mas na altura, a comissão ainda não tinha provado que o próprio Sevan estaria a ser beneficiado financeiramente.

Sevan, que dirigiu o programa orçado em 64 mil milhões de dólares (51,8 mil milhões de euros) de 1996 a 2003, demitiu-se ontem da ONU e acusou o seu secretário-geral Kofi Annan de o ter “sacrificado”, disse o seu advogado, Eric Lewis.

Dado que Sevan deixou Nova Iorque e entrou em Chipre em Junho, a comissão acusou-o de falta de cooperação com a investigação.

O programa “Petróleo por Alimentos” permitiu a Bagdad vender quantidades limitadas de petróleo e comprar, em troca, bens para a sua população, numa altura em que o país estava submetido a um embargo internacional.

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