CDS pronuncia-se hoje em eleições directas

Três mil militantes ratificam liderança de Ribeiro e Castro

José Ribeiro e Castro
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José Ribeiro e Castro Manuel de Almeida/Lusa

Cerca de três mil militantes do CDS deverão pronunciar-se hoje em eleições directas sobre o único candidato à liderança, José Ribeiro e Castro. O actual presidente do partido foi eleito, em congresso em Abril, com a promessa de se sujeitar a eleições directas.

As urnas estarão abertas entre as 15h e as 23h nas várias estruturas do CDS espalhadas pelo país. Os cadernos eleitorais, ou seja, as listas de militantes, nunca foram actualizados desde 1974. "Muitas cartas [de convocatória das eleições] voltaram para trás", disse ao PÚBLICO o secretário-geral, Martim Borges de Freitas. O CDS nunca fez um processo de refiliação, o que implica que o número de militantes se mantenha há muitos anos perto dos 30 mil. A direcção do partido sabe que este número não é real.

Martim Borges de Freitas conta que votem cerca de três mil militantes, pois é esse o número da participação nas últimas eleições das direcções distritais. Ao contrário de outros partidos, o CDS nem sequer exige que os seus militantes tenham as quotas em dia para exercer o direito de voto.

As eleições directas são já uma prática instituída no PS. No PSD, a discussão nesse sentido está aberta, mas, por exemplo, para a eleição de delegados ao congresso é obrigatório o pagamento de quotas. No CDS, o valor mínimo de quota é de 50 cêntimos.

De acordo com dados da secretaria-geral do CDS, a maior parte dos militantes concentra-se no Porto (20 por cento), seguindo-se Lisboa (16 por cento). No ranking vem depois Aveiro (10 por cento), Braga (8,5 por cento) e Bragança (6 por cento). Os restantes distritos têm um peso residual no conjunto do partido.

O CDS elege hoje Ribeiro e Castro, uma vez que não há outras candidaturas alternativas. No congresso de Abril, Ribeiro e Castro enfrentou Telmo Correia e Matos Chaves, que não quiseram voltar a concorrer. Na altura, Ribeiro e Castro, aproveitando uma sugestão do líder da JC, afirmou que era condição para a sua candidatura haver mais tarde eleições directas no partido, com o argumento que o CDS precisava de "um líder e não de um presidente". "Se tiver de seguir em frente, tenho de fazer as directas. Eu poderei ser o presidente mais breve da história do CDS, mas prestarei um bom serviço ao partido ao instituir as directas", disse, na altura.

Refiliação "não é

prioridade"

José Ribeiro e Castro andou a fazer campanha em todos os distritos do país nos últimos dias, ao mesmo tempo que aproveitava para apresentar vários candidatos autárquicos. O presidente do CDS desvalorizou ontem ao PÚBLICO a fraca taxa de participação que é esperada, realçando que "o objectivo principal foi conseguido: a mobilização do partido para as eleições autárquicas antes do intervalo para o Verão". Ribeiro e Castro destaca que "a direcção pôde ir ao encontro dos militantes e acelerou ao mesmo tempo o processo autárquico".

Quanto à necessidade de um processo de refiliação, disse tratar-se de "uma questão muito controversa" que "não é prioridade".

O Conselho Nacional aprovou uma norma transitória que permitisse as directas em Junho, mas o CDS terá que ter um congresso estatutário na Primavera do próximo ano para fazer uma alteração profunda às regras de funcionamento interno.

Se tivesse havido candidaturas alternativas nestas eleições directas e se vencesse outra pessoa que não o actual presidente, estava criado um problema. "Nesse caso, teria que haver logo congresso para se eleger uma direcção", garante Borges de Freitas. É que Ribeiro e Castro será eleito em directas, mas o resto da direcção não. Sendo este candidato único, não se porá o problema de ser necessário haver novos dirigentes. Ribeiro e Castro continuará a trabalhar com os vice-presidentes e os membros das comissões executiva e directiva por si escolhidos e já em funções. No PS, único partido que adoptou as directas, a comissão nacional é eleita através do método de Hondt. Este tipo de questões está ainda em aberto no CDS. O secretário-geral lembra que o congresso estatutário, que será feito em 2006, irá definir todo o novo regime de funcionamento e que a composição da direcção é um dos assuntos a serem vistos.