Ricardo Palmera, de 53 anos, mais conhecido por "Simon Trinidad"

Líder rebelde das FARC condenado a 35 anos de prisão na Colômbia

Ricardo Palmera
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Ricardo Palmera Miguel Menéndez/EPA

O mais importante membro das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) até hoje capturado pelas autoridades de Bogotá foi condenado terça-feira a 35 anos de prisão por "rapto e rebelião", apesar de ainda enfrentar acusações que incluem assassínio e terrorismo, referiu o seu advogado citado pela Reuters.

Ricardo Palmera, 53 anos, mais conhecido por "Simon Trinidad", foi a face visível da principal organização da guerrilha colombiana durante as fracassadas conversações de paz com o Governo em 2002. O acusado foi condenado pelo rapto do antigo presidente da Câmara Municipal de Valledupar, precisou o seu defensor, Oscar Silva.

A sentença coincidiu com um atentado em Tame, no distrito de Arauca (nordeste da Colômbia, junto à fronteira com a Venezuela), que provocou dois mortos e pelo menos 38 feridos. Um carro armadilhado explodiu a alguns metros do parque central de Tame, vitimando uma criança com oito anos e de um homem de 28 anos, precisou o presidente da Câmara local, Alfredo Guzman, citado pela AFP.

As autoridades atribuíram de imediato a autoria do atentado à guerrilha, particularmente activa nesta região do país. "Trata-se de um atentado terrorista das FARC dirigido contra a população civil e que viola todos os princípios dos direitos humanos", assegurou o comandante da polícia local, coronel Óscar Perez.

Vitória de Uribe A condenação de Palmera constitui um importante trunfo para o Presidente Álvaro Uribe, que prometeu terminar com a rebelião das FARC, de orientação marxista, no decurso do seu mandato. No seu testemunho Palmera admitiu estar envolvido numa rebelião mas negou ter participado no rapto em Valledupar. As FARC, com cerca de 17 mil membros, protagonizam há mais de quatro décadas uma guerra de guerrilhas contra o Estado colombiano que já provocou milhares de vítimas.

Palmera foi capturado em Janeiro passado em Quito, capital do Equador, numa operação conjunta com forças colombianas, e de imediato extraditado. A sentença foi declarada durante uma transmissão em vídeo a partir da prisão, após as autoridades considerarem "muito arriscada" a sua presença no tribunal. Antigo gerente bancário em Valledupar, "Simon Trinidad" optou por se juntar à guerrilha, instalada na selva colombiana, na década de 1980. Os responsáveis judiciais identificaram-no como o responsável financeiro e membro da direcção central das FARC, mas o visado considerou que o Governo estava a empolar a sua importância na estrutura da organização.

No seu combate contra os rebeldes das FARC e do Exército de Libertação Nacional (ELN, guevarista), e os cartéis da droga colombiana, o Presidente Uribe tem contado com o apoio sistemático de Washington, que tem disponibilizado anualmente 500 milhões de dólares (416 milhões de euros).