Crítica

Entre o telefilme e o épico

A primeira constatação a fazer é que "A Melhor Juventude" é daqueles casos que chega para importunar os formatos de programar e os hábitos de ver cinema: é um filme em duas jornadas, de três horas cada (sobre os últimos 40 anos da História italiana, através da história de dois irmãos e das personagens que com eles se cruzam), que começou por ter como destino a televisão mas que, ainda na fase de produção, foi "desviado" para as salas. É essa singularidade que o torna também um caso difuso: nem telefilme, nem épico, habita um espaço no meio, onde a relação entre personagens e acontecimentos históricos nunca é sublinhada, antes enunciada, onde germina um, comovente, desejo de pacificação (a Itália e a sua História) mas de onde está ausente o arrebatamento - e por isso às vezes é difícil de decidir entre subtileza ou ilustração. Não será por acaso que duas das personagens mais interessantes de "A Melhor Juventude" são arrumadas no capítulo da "incógnita": o irmão suicida e Giorgia, a "louca". São figuras centrais, mas é como se não houvesse espaço, ou ambição, para elas.