Não fazem parte das suas "actuais ambições"

Cavaco Silva afasta-se da corrida às Presidenciais

O ex-primeiro-ministro posicionou-se contra uma guerra no Iraque
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O ex-primeiro-ministro posicionou-se contra uma guerra no Iraque Francisco F. Neves/Lusa

O ex-primeiro-ministro Cavaco Silva afastou ontem à noite a possibilidade de vir a disputar as próximas eleições para a Presidência da República, um cargo que não faz parte das suas "actuais ambições".

"Ser Presidente da República não faz parte das minhas actuais ambições", afirmou Cavaco Silva numa entrevista ontem à RTP, sublinhando também que não equaciona o regresso à vida política activa.

"Depois de ter sido quase dez anos líder do PSD", explicou o ex-primeiro-ministro, “não me vejo regressar à vida política partidária".

A rejeição de uma segunda candidatura presidencial foi expressa por Cavaco Silva no final de uma entrevista centrada essencialmente na situação económica do país e nas medidas seguidas para contrariar a conjuntura desfavorável.

Numa altura em que, considerou, Portugal se encontra numa situação de "estagnação económica", o ex-primeiro-ministro subscreveu as medidas adoptadas pelo Governo de Durão Barroso e defendeu que "há possibilidade" de a recuperação da economia nacional começar já em 2003.

Tal irá depender ainda, defendeu, da evolução da situação política internacional e da capacidade das empresas portuguesas de "penetrar no mercado externo", em especial no espanhol.

Mas irá ainda depender da capacidade de "cada ministro sectorial" controlar a despesa no seu ministério.

O ex-primeiro-ministro evitou pronunciar-se sobre as despesas em matéria de Defesa, referindo apenas: "Temos que concentrar os nossos recursos na recuperação económica".

Apesar de defender a adopção prioritária de "incentivos para estimular a economia", Cavaco Silva manifestou preferência por "reduções selectivas" de impostos ao invés de um choque fiscal.

Cavaco Silva afastou igualmente o cenário de um aumento acentuado dos números do desemprego, até aos sete por cento, já que tal implicaria que o país entrasse numa situação de recessão acentuada.

Quanto a uma eventual remodelação governamental, Cavaco Silva manifestou-se céptico e defendeu uma demonstração dos efeitos das medidas adoptadas pelo Governo.

No plano internacional, Cavaco Silva alertou que uma eventual guerra no Iraque "vai dificultar ainda mais" a saída de Portugal "da estagnação em que se encontra".

O ex-primeiro-ministro posicionou-se contra uma guerra no Iraque, mas alertou para o facto de Saddam Hussein ser, efectivamente, um ditador – “é o único ditador actual que já invadiu dois países e que matou pessoas do seu próprio povo” -, facto que na sua opinião está a ser esquecido por muitas vozes que se manifestam contra a guerra.

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