Esteve 26 anos à frente dos destinos nacionais, que dirigiu com pulso de ferro

Ex-ditador birmanês, general Ne Win, morreu hoje aos 92 anos

Aung San Suu Kyi, líder da oposição e Prémio Nobel da Paz, é um dos rostos mais simbólicos da luta pela democracia no país
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Aung San Suu Kyi, líder da oposição e Prémio Nobel da Paz, é um dos rostos mais simbólicos da luta pela democracia no país DR

O general Ne Win, que durante 26 anos exerceu uma férrea ditadura militar na República de Myanmar (Birmânia), morreu hoje na sua casa de Rangun, onde se encontrava sob prisão domiciliária, acusado de conspiração contra a actual junta militar no poder.

Ne Win, de 92 anos, encabeçou em 1962 o golpe de Estado que acabou com o Governo democrático do então primeiro-ministro birmanês, U Nu. Depois disso, o ditador embarcou numa política de nacionalizações e isolamento internacional até à sua retirada do poder, em 1988, quando o país já estava irremediavelmente transformado num dos mais pobres do mundo.

Depois de passar o poder a militares que lhe eram leais, Ne Win continuou a ser o homem com maior influência da República de Myanmar, nação que em 1948 alcançou a independência do Reino Unido.

O general Ne Win caiu em desgraça em meados do ano passado quando foi confinado à sua vivenda da capital birmanesa pelo seu alegado envolvimento no “complot” levado a cabo por membros da sua família, com o objectivo de derrotar a actual junta militar.

Um genro e três netos de Ne Win foram detidos em Março de 2001 e sentenciados à morte por enforcamento nesse mesmo ano após terem sido considerados culpados de alta traição.

Desde a interrupção do poder de Ne Win que a República de Myanmar é governada por uma junta governamental, que em Maio passado libertou a líder opositora birmanesa, Aung San Suu Kyi, num indício de que aquele país asiático poderia estar a fazer o início de uma travessia em direcção à democracia e ao respeito pelos direitos humanos.

Porém, a junta militar parece entretanto ter perdido o interesse em reavivar as conversações com a Nobel da Paz e a sua Liga Nacional para a Democracia (LND), vencedora das eleições legislativas de 1990 mas cuja vitória nunca foi reconhecida pelos militares birmaneses.