Debate sobre o futuro do movimento

Líderes da UNITA e da UNITA-Renovada reúnem-se hoje

Manuvakola saiu da UNITA em 1997
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Manuvakola saiu da UNITA em 1997 Lusa

O coordenador da Comissão de Gestão da UNITA e o presidente da ala dissidente UNITA-Renovada deverão reunir-se hoje, em Luanda, para encetarem o "diálogo para a saída da crise" vivida no movimento.

Paulo Lukamba "Gato", secretário-geral do movimento que foi presidido por Jonas Savimbi, morto a 22 de Fevereiro, e Eugénio Ngolo "Manuvakola", líder da ala dissidente instalada em Luanda desde 1998, deverão ter a primeira "pequena conversa a dois" desde a saída do segundo das fileiras da UNITA, em 1997.

"Gato" e a maioria dos chefes militares da UNITA começaram a concentrar-se em Luanda desde terça-feira, vindos da província oriental do Moxico e de outras frentes de combate, para a assinatura formal do Memorando de Entendimento entre as forças militares da UNITA e as Forças Armadas Angolanas, concretizado ontem de manhã.

O encontro deverá servir para estabelecer "o calendário que se impõe para trabalhar no sentido de soluções e do reencontro" das diversas tendências da União Nacional para a Independência Total de Angola instaladas em Luanda, disse à Lusa o presidente da UNITA-Renovada. Para Ngolo "Manuvakola", há agora que "trabalhar em ideias" e, "quando nos encontrarmos, saberemos" das perspectivas da harmonização das fileiras da UNITA.

UNITA

Em 13 de Março de 1966, em Muangai, na Província do Moxico, Jonas Savimbi proclamava a UNITA - União Nacional para a Independência Total de Angola -, pouco depois de ter abandonado as fileiras da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), à qual havia aderido após uma breve militância no MPLA.

Os conhecimentos diplomáticos de Jonas Savimbi, enquanto ministro dos Negócios Estrangeiros do Governo Revolucionário Provisório de Angola (GRAE), formado pela Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), permitiram-lhe procurar apoios e auxílio para a União Nacional para a Independência Total de Angola.

O presidente da UNITA visitou na altura vários países, nomeadamente os Estados Unidos e a ex-União Soviética, procurando apoio para o seu movimento, mas só obteve ajuda da China e do Egipto.

A China treinou e equipou militarmente os primeiros 12 guerrilheiros do então novo movimento rebelde angolano, nomeadamente Jonas Savimbi, Miguel Nzau Puna e o comandante das suas forças armadas, Samuel Chiwale.

A primeira acção militar da UNITA em Angola foi realizada em 25 de Dezembro de 1966, com um ataque mal sucedido à Vila Teixeira de Sousa, hoje Luau, na província do Moxico, área onde passou a estar centralizada toda a sua actividade política e armada.

Durante vários anos, a UNITA foi acusada pelo MPLA de ter tido entendimentos políticos com o Exército português antes do 25 de Abril, mas o movimento apenas admitiu ter observado uma trégua estratégica com os madeireiros portugueses do Luso, no início da década de 70.

Depois do 25 de Abril em Portugal, a UNITA e o Exército português suspenderam as hostilidades em 1 de Junho de 1974. A 26 de Julho o movimento de Jonas Savimbi participou com o MPLA e a FNLA na cimeira de reconciliação de Bukavu, no Congo, mais tarde repetida na cidade de Mombaça, no Quénia.

Em 10 de Janeiro de 1975, a UNITA participou na cimeira do Alvor, no Algarve, onde foram traçados os calendários para a entrega do poder político em Angola aos movimentos de libertação e a criação de um Governo de transição no país, constituído por Portugal, pelo MPLA, pela FNLA e pela UNITA.

Na sequência dos confrontos registados a partir de Junho de 1975 entre os três movimentos, o MPLA proclamou uma independência unilateral, passando a UNITA à resistência armada contra o regime de Luanda.