Euro 2004

Manifestação com milhares de anónimos e alguns VIP

Políticos portuenses colaram-se à manifestação convocada pelos Super Dragões
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Políticos portuenses colaram-se à manifestação convocada pelos Super Dragões Estela Silva/Lusa

Milhares de anónimos acorreram esta noite à Praça Humberto Delgado como resposta à manifestação decretada pela claque do FC Porto Super Dragões contra o presidente da autarquia, Rui Rio. Mas há algumas pessoas menos anónimas que outras: durante a concentração, vários socialistas mostraram-se à comunicação social, numa colagem aos protestos contra o autarca social-democrata.

Isto apesar de os Super Dragões se terem mostrado contra o aproveitamento político do Euro 2004 — empunhavam um cartaz que dizia "não aceitamos que o FC Porto e a cidade sejam usados para disputas políticas que só a prejudicam".

Nuno Cardoso, antigo presidente da Câmara, foi uma das figuras públicas que acorreram à manifestação da claque portista. Com o som de palavras de ordem contra Rui Rio, Nuno Cardoso vincava aos jornalistas que estava ali presente apenas como cidadão, mas não resistiu a defender o Plano Pormenor das Antas, que ele próprio acordou enquanto autarca. "Ele [Rui Rio] não leva a proposta a votos porque sabe que perde a votação por nove votos contra quatro", disse, lembrando que, caso decida votar alterações ao projecto, terá nove votos contra: seis vereadores do PS, dois do CDS/PP e o social-democrata Paulo Cutileiro, que aprovou o plano para as Antas ainda no anterior executivo camarário.

Seguiu-se Hernâni Gonçalves. Interpelado pela Lusa, o antigo vereador criticou os que "querem pegar numa arma de arremesso político contra um evento como o Euro 2004" e reafirmou o seu apoio à concretização do Plano Pormenor das Antas.

Também Orlando Gaspar, presidente da concelhia do PS/Porto e actual vereador, se deslocou à zona baixa portuense. Para Gaspar, esta manifestação deveria ser "um claro protesto contra uma alteração ao Plano de Pormenor das Antas que não dignifica a cidade" e os protestos da Associação de Comerciantes, que "não apresentou nenhuma reclamação" no período inicial de discussão pública.

Mas parece que Rui Rio não tem opositores às suas decisões sobre o Plano Pormenor nas Antas apenas nas claques portistas e nos dirigentes socialistas. Pôncio Monteiro, membro do Conselho Superior do clube das Antas e conhecido militante do PSD, deu o seu apoio aos manifestantes, lembrando que a política do FC Porto "é só a política desportiva". "Só vamos fazer política porque nos obrigaram a isso! Nós substituímos o Estado em muita coisa, entre elas tirar os jovens da droga. Devolvam-nos o que nos querem tirar! O FC Porto é o Porto, quer queiram quer não!".

Da Sociedade Anónima Desportiva do FC Porto, só o administrador Reinaldo Teles — o presidente Pinto da Costa não compareceu. "A manifestação foi uma prova de que os portugueses estão com o FC Porto. Esta manifestação era dos adeptos, não os podíamos calar, como não podíamos calar a sua indignação contra o presidente da câmara", afirmou no final dos protestos, rejeitando que manifestação tenha violado o apelo à serenidade feito pelo Presidente da República, Jorge Sampaio.

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