Banca americana passa testes de sobrevivência a uma nova crise

Na eventualidade de uma nova crise financeira, Goldman Sachs e Morgan Stanley cumpririam à risca os requisitos de capitais.

Morgan Stanley e Goldman Sachs cumprem requisitos de solvabilidade, mas estão próximos do limite Lucas Jackson/Reuters

Dezassete das 18 principais instituições financeiras norte-americanas passaram no exame anual da Reserva Federal americana - que testa a capacidade de sobrevivência na eventualidade de uma nova crise financeira. Os resultados são melhores do que há um ano, mas o teste de risco de capital revelou algumas fragilidades. Grandes instituições, como, por exemplo, o Goldman Sachs, mostraram níveis de sobrevivência que se encontram no limiar do chumbo.

Os resultados da análise da Fed, divulgados na quinta-feira, revelaram que apenas a Ally Financial ficaria com os níveis de capitais abaixo dos exigidos 5% de Core Tier 1 (medida de segurança de capitais e de solvabilidade) caso uma nova crise financeira eclodisse nos EUA. As restantes 17 grandes instituições de Wall Street cumpririam os níveis de capital, de acordo com a Fed.

Mas algumas dessas instituições estão a pisar o risco, para surpresa dos analistas. O Goldman Sachs, por exemplo, registaria uma queda de capitais Core Tier 1 para os 5,8%, apenas 0,8 pontos percentuais acima da margem exigida pela Fed. Já o Morgan Stanley ficaria com uma margem de solvabilidade de apenas 5,7%.

De acordo com o próprio Goldman Sachs, os níveis de capital Core Tier 1 seriam de 8,6% na eventualidade de uma crise; um valor significativamente maior do que o que foi revelado na quinta-feira pela Fed.

Ouvidos pelo Financial Times, analistas do Credit Suisse esperavam que os níveis de capital do Goldman Sachs ficassem na casa dos 7,3%, alertando para o risco de solvabilidade do Goldman e do Morgan Stanley. O jornal britânico fala ainda de um prejuízo de 20 mil milhões de dólares (cerca de 15 mil milhões de euros) para o Goldman na situação hipotética de uma nova crise financeira.

Já os analistas da Sandler O’Neill & Partners, consultados pela Bloomberg, mostram-se satisfeitos face à avaliação da Fed. Scott Siefers, director desta agência de analistas, afirmou que os resultados mostram “um bom sinal de saúde do sistema financeiro”.

Com base neste relatório, a Reserva Federal norte-americana decidirá se estas instituições financeiras podem, ou não, distribuir dividendos aos accionistas pelos resultados de 2012.

Ally Financial contesta
O único banco chumbado pela Fed está a contestar a avaliação. De acordo com o relatório da Reserva Federal, o Ally  Financial ficaria com níveis de solvabilidade Core Tier 1 apenas nos 1,5%. Mas o banco afirma que os métodos utilizados pela Fed são “inconsistentes com a experiência histórica” e revelam “falhas fundamentais”.

De facto, o teste de segurança do sistema financeiro é controverso, como explica o Financial Times. Vários responsáveis do sistema financeiro contestaram já os métodos da Fed, que assume, por exemplo, que os bancos continuariam a pagar dividendos aos accionistas mesmo num cenário de crise financeira profunda.

Na União Europeia, onde está a ser implementado o pacote de reformas do sistema bancário conhecido como o Basileia III, os requisitos mínimos de capital Core Tier 1 nos bancos está assente nos 7%. Este valor aumentará para os 9,5% em 2019.

A exigência de solvabilidade bancária é maior em Portugal. O Banco de Portugal que determina um nível mínimo de 10% de capitais Core Tier 1.  

Em todo o caso, estes níveis devem ser assegurados em condições normais do sistema financeiro e não mostram de que forma é que as instituições europeias reagiriam em caso de uma crise profunda.

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