Expropriação de posição de controlo

Repsol acusa Argentina de querer levar acções da YPF para preços de saldo

Foto: Sergio Perez/ Reuters

O presidente da espanhola Repsol acusou hoje o Governo argentino de ter conduzido uma campanha de acusações para baixar o preço das acções da YPF e assim poder realizar a expropriação da filial argentina a preços de saldo.

“A Presidente argentina realizou ontem um acto ilegítimo e injustificável, depois de uma campanha de acusações com que pretendia derrubar as acções da YPF e permitir uma expropriação a preço de saldo”, afirmou Antonio Brufau numa conferência de imprensa em Madrid.

“Estes actos não ficarão impunes”, disse, considerando que a expropriação “viola os mais elementares princípios da igualdade de tratamento”, procurando tomar o controlo da YPF “sem nenhuma OPA [oferta pública de aquisição], compromisso assumido pelo Governo aquando da privatização” da empresa argentina.

Por isso, Brufau anunciou que a Repsol vai recorrer à arbitragem internacional e exigirá uma compensação pelas acções expropriadas, pelo menos, pela mesma quantidade que corresponderia aos accionistas de acordo com a lei em vigor.

Isso significa um valor por acção de 46,55 dólares, ou a avaliação total da YPF em 18.300 milhões de dólares.

Empresa recusa atitude “predadora”

Brufau considerou que não está justificado o argumento de utilidade pública e rejeita as acusações do Governo argentino de que a petrolífera teve uma atitude “predadora” sobre os recursos do país.

Recordando a história da Repsol na Argentina, Brufau disse que, em 1999, era o marido da actual Presidente governador de Santa Cruz, quando a petrolífera espanhola lançou a OPA sobre a YPF, avaliando na altura a empresa em 15 mil milhões de dólares.

Parte da receita do investimento da Repsol foi para as províncias argentinas, incluindo a governada por Kirchner.

“Em 2008, escutando os desejos do Governo argentino, demos entrada a um grupo argentino (com financiamento bancário e da própria Repsol). Uma operação absolutamente aprovada por Kirchner e a sua mulher”, disse.

Brufau rejeitou as críticas sobre a política de dividendos da Repsol, afirmando que, até finais de 2011, a empresa espanhola sempre foi saudada pelas autoridades argentinas.

“Crise social e económica” argentina

A expropriação, disse, é “só uma forma de tapar a crise social e económica que a Argentina enfrenta”.

O responsável da Repsol acrescentou que a Presidente argentina se recusou a recebê-lo e acusou as autoridades do país de terem entrado nas instalações da Repsol YPF, mesmo antes de a chefe do Estado ter terminado o seu discurso.

“Entraram nas nossas instalações ao amparo de uma lei de Videla, um ditador. Isso não é próprio de um país moderno. A população argentina merece outra coisa”, afirmou.

Sobre a actuação da Repsol, Brufau disse que a empresa realizou 20 mil milhões de dólares de investimento, a que se soma a compra da YPF (15 mil milhões) com investimentos que desde 2006 “têm sido muito superiores aos da média da região”.

Na defesa da sua expropriação, o Governo argentino calcula que a petrolífera espanhola recuperou já todo o dinheiro investido na YPF recebendo, além disso, receitas líquidas 8813 milhões de dólares entre 1999 e 2011.

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