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La Caixa compra posição do Itaú e fica com 49% do BPI

Itaú

BPI lucrou 39,3 milhões de euros no primeiro trimestre Foto: Rita Baleia

O grupo catalão La Caixa, através do CaixaBank, vai comprar a participação de 18,87% que os brasileiros do Itáu detêm no BPI, pagando 93,4 milhões de euros, a 50 cêntimos por acção, segundo foi hoje anunciado em comunicado. Subida dos actuais 30,1% não obriga ao lançamento de uma OPA.

O reforço do grupo catalão foi conhecido no mesmo dia em que o actual presidente do banco português, Fernando Ulrich, veio defender a privatização da Caixa Geral de Depósitos (CGD). “É cada vez mais urgente abrir o capital da CGD a investidores privados, colocá-la no mercado, sujeita às mesmas regras a que estamos sujeitos” e dar-lhe a capacidade de entrar no “jogo da consolidação que pode acontecer no mercado financeiro”, afirmou.

Mesmo com o La Caixa a deter 49% do BPI, no entender do regulador do mercado, a CMVM, o facto de continuar a existir uma blindagem dos estatutos, que impede o exercício dos direitos de voto acima dos 20%, faz com que este não seja obrigado a lançar uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre o restante capital.

Os catalães vão também manter três administradores, não fazendo reflectir, por agora, o aumento da posição accionista na administração do banco português. Além disso, segundo explicou o grupo catalão em comunicado, a CMVM considera que não se verifica a necessidade de uma OPA na medida em há accionistas qualificados que, no seu conjunto, superam o poder de voto desta instituição.

Por outro lado, o regulador do mercado de capitais considera que, “no caso hipotético de lançamento pelo CaixaBank de uma OPA sobre o BPI nos próximos dois anos, a contrapartida da oferta - sem prejuízo do cumprimento dos critérios da contrapartida mínima em caso de OPA obrigatória - não poderá ser inferior ao preço por acção pago na presente aquisição”. Para além da CaixaBank e do Itaú, são actuais accionistas do BPI o grupo Santoro, controlado por Isabel dos Santos, com 9,99%, o grupo Allianz (8,8%) e a sociedade HVF (2,9%).

Por parte do Itaú, segundo informações recolhidas pelo PÚBLICO, este quer concentrar as suas actividades na América do Sul, onde é líder, e afasta-se também assim do risco que Portugal representa actualmente.

O La Caixa/CaixaBank, de capitais públicos, esclarece que a aquisição se encontra “condicionada à declaração de não oposição do Banco de Portugal” , cujo pedido “foi já apresentado pelo CaixaBank em momento anterior à celebração do contrato”. Após este passo ficará então a deter 48,97% do capital social do BPI.

O CaixaBank, controlado pelo La Caixa, aprovou no final de Março a compra do Banca Cívica por mil milhões de euros.

Hoje à tarde, antes de ser conhecido o reforço do La Caixa, Ulrich apresentou os resultados do primeiro trimestre, tendo o BPI lucrado 39,3 milhões de euros, menos 13% do que em idêntico período de 2011. “Temos vindo a gerir o banco na perspectiva de que os mercados nunca mais vão reabrir para os bancos portugueses. Espero que não aconteça, mas esta é uma forma de gerir o BPI de forma prudente”, afirmou.

Notícia actualizada às 21h46 e corrigida às 11h57 de 21 de Abril: O nome do banco Itaú estava erradamente escrito como “Itáu”.

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