Aconteceu, outra, vez, Duarte, Marques, voltou, a, escrever

Duarte Marques escreve às terças no Expresso.pt e o problema é persistentemente o mesmo: escreve inacreditavelmente mal. Isto é, não sabe escrever em português

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Aconteceu, outra, vez, Duarte, Marques, voltou, a, escrever. Duarte Marques escreve às terças no Expresso.pt e o problema é persistentemente o mesmo: escreve inacreditavelmente mal. Isto é, não sabe escrever em português. O autoproclamado consultor, de 33 anos, bem conhecido de todos pela sua notável e repentina mudança de opinião sobre a co-adopção, conta já com um vastíssimo currículo: deputado, chefe de gabinete da delegação portuguesa do PPE no Parlamento Europeu, presidente da JSD, vice-presidente da YEPP (Juventude do Partido Popular Europeu)...

Porém, sem dúvida, o grande feito foi conseguido em tenra idade. Aos 21 anos, Duarte Marques era nada menos do que assessor do Ministro da Presidência. O que fazia? Segundo o seu currículo, fazia ‘’assessoria política’’, preparava ‘’visitas e deslocações oficiais em Portugal e no estrangeiro’’ e organizava Conselhos de Ministros. Organizava, Conselhos, de, Ministros, imagino eu.

Mal conheço Duarte Marques. São parcas as memórias que tenho dos tempos em que ele, enquanto presidente da JSD, vagueava entre as lides de Associações de Estudantes e Federações Académicas no execrável xadrez da "politics" (em modo jardim de infância) que todos, melhor ou pior, conhecemos. A questão não é pessoal. O problema maior não está no facto de Duarte Marques conseguir enfiar 100 vírgulas num texto de 800 palavras. Nem em pô-las, preferencialmente, entre o sujeito e predicado. Nem no Expresso.pt, um órgão de comunicação social credível, deixá-lo discorrer sem uma gramática de nível 1 por perto.

O problema, quanto a mim, é outro e mais grave. É que Duarte Marques é deputado da Assembleia da República e (leia-se bem!) membro da Comissão de Educação, Ciência e Cultura. Sim, a Comissão de Educação, Ciência e Cultura, a que se pronuncia e discute os currículos das escolas, a que deixa passar os sucessivos cortes brutais na investigação e na cultura porque o PSD, partido do qual é membro e dirigente, acha que a ‘’investigação não rentável’’ não deve ser financiada.

É que a decadência da política, a crise da representatividade, a abstenção, o voto de protesto e todos os fenómenos que mais tarde ou mais cedo acelerarão uma crise aguda da democracia não têm uma origem abstracta; são sobretudo impulsionados por isto: politólogos de café que criaram uma carreira própria e autista e que inevitavelmente governar-nos-ão. E esta inevitabilidade, de entre todas, é a mais dramática. É uma epopeia escrita pelo dramaturgo Duarte Marques.

Nota: o texto original em Expresso.pt foi, entretanto, merecidamente revisto.

 

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