Quando em Março o serviço de medicina interna do Hospital Curry Cabral se converteu num “serviço covid”, a transformação exigiu dos profissionais da linha da frente que mudassem procedimentos e regras. E que não recuassem perante o medo do desconhecido.

A vida parou para os médicos, os enfermeiros, os auxiliares de acção médica e técnicos, os fisioterapeutas e auxiliares da limpeza. Ou eles pararam no tempo. “Foi desafiante e gratificante, como também frustrante” para quem, como diz o médico André Almeida, sentiu “estar sempre a correr atrás do prejuízo”. Houve que “mergulhar numa pesquisa infindável para descobrir o que poderíamos prever do doente e antecipar as complicações”.

Mudou a forma de encarar a profissão, mudou o olhar sobre o doente. “Mudará a forma como olhamos para o planeta”, diz a enfermeira Sílvia Ferreira. “Eu acredito que só nos acontecem coisas na vida se soubermos lidar com elas.”

Cuidar passou a ser também enfrentar o “inimigo invisível”. O internamento nunca foi tão solitário