Polícias de serviço no protesto do Capitólio têm problemas de visão, diz Santos Silva

Ex-presidente da Assembleia da República usa ironia para criticar no Facebook actuação da PSP e do Ministério Público, que arquivou inquérito-crime.

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Augusto Santos Silva, ex-presidente da Assembleia da República Nuno Ferreira Santos
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O ex-presidente da Assembleia da República Augusto Santos Silva considerou esta terça-feira que os agentes da PSP que asseguravam o policiamento do protesto das forças de segurança no Capitólio em Fevereiro passado, e que não conseguiram identificar nenhum dos colegas que ali se manifestavam, padecem de "dificuldade de visão".

Após o PÚBLICO ter noticiado o arquivamento do inquérito aberto pelo Ministério Público, por estar em causa uma manifestação não autorizada, Santos Silva usou a sua conta no Facebook para tecer alguns comentários sobre o assunto. A procuradora do Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa encarregada do processo não chegou a levar a cabo uma única diligência. “No local não foi possível apurar quem seriam os promotores de tal manifestação. Da mera leitura do auto de denúncia [preenchido pela oficial da PSP que comandava as operações] é patente a inexistência de indícios que permitam conduzir à identificação dos autores daquela factualidade, não tendo sido identificado qualquer promotor ou manifestante (…), o que se traduz na impossibilidade prática de diligências de inquérito com vista à sua identificação”, justificou-se no despacho de arquivamento.

No seu post, o ex-presidente do Parlamento começa por assinalar que, na última campanha eleitoral, "o debate entre os dois candidatos a primeiro-ministro no Capitólio decorreu sob um cerco montado por agentes da PSP e guardas da GNR, desfardados, numa ameaça directa e sem precedentes ao poder democrático".

"Soubemos hoje que a PSP não conseguiu identificar os responsáveis por esse acto indigno e que o Ministério Público arquivou o caso. É como se não se tivesse passado nada", critica o socialista. Que acrescenta de seguida: "Lamenta-se a dificuldade de visão dos polícias fardados presentes e louva-se a prontidão da conclusão tirada pelo Ministério Público. É um sossego saber que a garantia da ordem democrática está em tão boas mãos".

A 19 de Fevereiro, cerca de um milhar de polícias concentraram-se junto ao cineteatro Capitólio, onde estava a decorrer um debate entre os dois principais candidatos a primeiro-ministro nas eleições legislativas, Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos. Vinham de uma manifestação autorizada que decorreu na Praça do Comércio, organizada pela plataforma que congrega sindicatos da PSP e associações da GNR.

O protesto junto ao Capitólio foi marcado nas redes sociais pelo chamado "movimento inop" e não teve a participação da plataforma, sendo também através daquelas redes que foram lançadas todas as directrizes que os manifestantes deviam seguir. Na altura, os elementos da PSP e da GNR estavam em protesto há mais de um mês para exigir um suplemento idêntico ao atribuído à Polícia Judiciária, uma reivindicação que ainda se mantém, uma vez que o actual Governo ainda não chegou a acordo com os sindicatos.

A PSP instaurou 43 processos disciplinares aos polícias que participaram na concentração, que não foi alvo de aviso prévio à Câmara de Lisboa nem às autoridades.

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